Montanhas da Amazônia terão espécies estudadas

Pesquisadores farão em março último levantamento de plantas típicas e pouco conhecidas das elevadas altitudes da floresta

Por O Dia

Rio - O projeto Montanhas da Amazônia, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em parceria com a Natura, vai mapear o Monte Caburaí e a Serra da Mocidade, no Estado de Roraima, a partir de março. A proposta do projeto, iniciado em 2011, é revelar a biodiversidade vegetal e catalogar possíveis espécies ainda desconhecidas que habitam áreas elevadas.

A expectativa dos pesquiadores é encontrar novidades nas regiões de difícil acesso do Monte Caburaí, próximo à fronteira com a Guiana. Um reconhecimento da parte alta da Serra da Mocidade também será feita na mesma viagem, que durará, inicialmente, nove dias. Segundo o pesquisador-coordenador do projeto, Marcus Nadruz, algumas das áreas vão passar por seu primeiro levantamento botânico.

Coordenador do projeto%2C coleta amostras de espécies no Pico da Neblina%2C ponto mais alto do Brasil%2C com 2.994m de altitudeRicardo Azoury

A etapa de taxonomia — identificação inicial das espécies vegetais — deve abrir portas para estudos ecológicos mais aprofundados. “Hoje, unidades de preservação conservam ecossistemas que conhecem pouco. A partir do nosso estudo, especialistas em meio ambiente vão ter mais subsídios para fazer isso”, explicou Nadruz.

Como resultado de cada expedição, pesquisadores trazem uma média de mil amostras de plantas, que se unem aos registros nacionais já conhecidos sobre a região — na maioria das vezes, ainda incipientes.

Plantas únicas

O levantamento nessas localidades tem um diferencial claro: plantas que crescem ali convivem com chuvas torrenciais e não nascem em nenhum outro lugar do Brasil. Algumas espécies encontradas são novidades completas para cientistas brasileiros.

“Pela falta de informação disponível sobre essas áreas, é possível que encontremos até mesmo espécies que hoje constam da lista nacional das ameaçadas”, comentou o especialista.

O projeto atende pelo nome completo de Riqueza de Espécies em Regiões Montanhosas da Amazônia Brasileira: Diversidade e Conservação, que dá uma dica da abrangência de sua atuação.

A primeira excursão do grupo em terras amazônicas foi à Serra do Aracá, onde ampliaram a área de coleta feita por outras equipes no passado. Eles já estiveram também no Pico da Neblina, em 2012, e na própria Serra da Mocidade, em estudo prévio realizado no mesmo ano.

Desta vez, os planos para a viagem à Serra da Mocidade incluem deslocamento por helicóptero com apoio de militares da Aeronáutica. Na experiência anterior, usaram uma aeronave civil.

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