Brasil

Partido das Favelas ganha mais força

Estatuto é publicado no Diário Oficial da União. Criação da sigla precisa de pelo menos 480 mil assinaturas

Rio - O partido Frente Favela Brasil deu, ontem, um importante passo para se tornar oficial, com a publicação de seu estatuto no Diário Oficial da União. Para a formalização e, consequentemente, poder disputar as próximas eleições, em 2018, será necessário recolher 480 mil assinaturas, o que será feito a partir do dia 4 de janeiro.

Frei David e Celso Athayde tocam o projeto do novo partido. Meta agora é colher as assinaturas DIVULGAÇÃO/EDUCAFRO

“É triste a gente precisar chegar ao ponto de criar um partido assim, como foi a questão das cotas nas universidades. Mas não há outra opção. Os favelados só participam da vida política do país na hora do voto. Da política, em si, da formulação das políticas públicas, não. O negro e o pobre estão fora deste universo”, disse o ativista Celso Athayde, fundador da Central Única das Favelas (Cufa).

Athayde diz ser apenas um colaborador e incentivador do partido, e que não pretende ter qualquer tipo de cargo de direção. Sua participação, segundo ele, é meramente voluntária.

“Tem bancada de tudo o que é tipo no Congresso, cada uma legislando em causa própria. Nenhum partido fala em governar para os ricos. Todos falam em justiça social, mas a maioria, sobretudo de centro e de direita, governa para os ricos. E temos 15 milhões de favelados; 53% da população é negra. E está fora do processo político. Não dá mais, não é?”, questionou Celso Athayde.

Outro entusiasta da nova sigla é Frei David dos Santos, da Educafro, que lutou pelas cotas. “Este partido é o que esperávamos: da base para a base. Ressurge a esperança! Fazer uma política limpa que já aprendeu com os erros do PT, isto é o que esperamos!”, escreveu.

Quem estiver interessado em conhecer o programa do partido, bem como contribuir para recolher assinaturas pode fazê-lo pelo site oficial do Frente Favela Brasil (ffavelabrasil.org.br). 

Empreitada desde julho

O lançamento oficial da campanha para a criação do partido aconteceu em julho, na Providência. O local foi escolhido por ser reconhecido como a primeira favela do país, ocupada por soldados que participaram da Guerra de Canudos e não receberam do Estado a casa própria prometida.

“Acho que a gente precisa de novas ideias para a política. Acho muito importante quando tem um partido como esse, que pega uma parcela tão importante da sociedade, que não tem a sua voz escutada e resolve entrar no Congresso, para falar em nome dessa população”, disse, à época, o ator Lázaro Ramos.

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