Por thiago.antunes

Rio - A greve geral desta sexta-feira atingiu cidades de todos os estados do Brasil e teve adesão de milhões de trabalhadores, mas não chegou a parar o país. No fim do dia, os dois lados cantaram vitória. 

Segundo a CUT, o movimento contra as reformas da Previdência e Trabalhista foi a maior greve já realizada no Brasil e teria contado com a adesão de mais de 35 milhões de brasileiros, que foi o número registrado em uma paralisação em 1989. “Não tínhamos uma greve geral desde 1992. Paramos o país”, disse Marcelo Rodrigues, presidente da CUT-RJ.

Largo da Batata%2C em São Paulo%2C no início da noite de ontem%3A 70 mil manifestantes%2C segundo os organizadoresReprodução Twitter

Já o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, considerou a greve “pífia”. “Não teve a expressão que se imaginava ter”, disse. Mais cedo, em entrevista à rádio Jovem Pan, ele havia afirmado que “temos é uma baderna generalizada, não uma greve nacional”.

Na mesma rádio, o prefeito de São Paulo, João Doria, que conseguiu fugir de um bloqueio que os grevistas planejavam em frente à sua casa, chamou os manifestantes de “vagabundos”, dizendo que “são preguiçosos e acordam tarde”.

No início da noite, o presidente Michel Temer divulgou nota mais comedida, na qual afirmou que “as manifestações políticas ocorreram livremente em todo país”. “Houve a mais ampla garantia ao direito de expressão, mesmo nas menores aglomerações.

Infelizmente, pequenos grupos bloquearam rodovias e avenidas para impedir o direito de ir e vir do cidadão, que acabou impossibilitado de chegar ao seu local de trabalho ou de transitar livremente”.

Repercussão

Nas redes sociais, a divisão permaneceu. A hashtag #BrasilEmGreve chegou à segunda colocação do trending topics mundial do Twitter. Mais tarde, a #AGreveFracassou tornou-se o assunto mais comentado.

A imprensa internacional repercutiu a greve. Comentando a impopularidade do presidente, a britânica BBC disse que “Temer não havia enfrentado uma demonstração disso em massa como nesta greve". O americano Wall Street Journal afirmou que a greve “praticamente paralisou” o trânsito em São Paulo.

O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), que é da base do governo, mas apoiou a greve geral, estimou em 40 milhões o número de trabalhadores parados, e disse que isso pode levar o governo e o Congresso a reavaliar as reformas.

Para o ministro Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, não haverá prejuízo ao processo de votação da PEC da Previdência. "Há uma consciência forte de que é preciso que nós enfrentemos a questão", disse à rádio CBN.

Sem ônibus em 18 capitais

Houve bloqueios realizados por sindicalistas em estradas e ruas de diversas cidades. Motoristas de ônibus pararam em 18 capitais.  Em São Paulo, metroviários e ferroviários aderiram ao movimento, o que deixou a cidade com jeito de feriado.

Em Belo Horizonte, uma manifestação reuniu 50 mil pessoas em protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária. Em Recife, praticamente todo o comércio do Centro ficou fechado durante todo o dia.

Em São Paulo, um dos locais de maior concentração de manifestantes foi o Largo da Batata, que recebeu 70 mil pessoas, segundo os organizadores. O objetivo dos manifestantes era ir até a casa do presidente Michel Temer na capital paulista. O local, porém, estava bloqueado.

Temer permaneceu todo o dia em Brasília, onde a manifestação aconteceu pela manhã, reunindo cerca de 3 mil pessoas.  Em frente à casa de Temer, na Praça Panamericana, à noite, a Polícia Militar dispersou com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo os manifestantes.

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