Polícia Federal prende vice-governador de MG e Joesley Batista em operação

'Capitu' cumpre 19 mandados de prisão e 63 de busca e apreensão. Entre os presos estão o deputado estadual João Magalhães (MG) e o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), ex-ministro da Agricultura

Por RAFAEL NASCIMENTO

Vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB) e Joesley Batista
Vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB) e Joesley Batista -

Rio - A Polícia Federal (PF) faz, na manhã desta sexta-feira, uma operação no Rio e em outros quatro estados em mais uma fase da Operação Lava Jato. Intitulada Operação Capitu, a ação mira o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), que foi preso em Belo Horizonte. São cumpridos 19 mandados de prisão e 63 mandados de busca e apreensão.

Segundo as investigações, Andrade estaria envolvido em um esquema de corrupção quando ele era ministro da Agricultura no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A Polícia Federal informou que instaurou um inquérito policial em maio deste ano, baseado em declarações do corretor Lúcio Bolonha Funaro, sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no Mapa em 2014 e 2015.

Segundo o delator, a JBS teria repassado R$ 7 milhões para o grupo político do MDB da Câmara. Desse valor, o então ministro da Agricultura e atual vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade, teria recebido R$ 3 milhões da propina paga pela empresa de Josley Batista e R$ 1,5 milhão teriam sido enviados ao ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ).

Operação à parte, Joesley e Saud, em outra frente, estão com a colaboração premiada ameaçada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciar a rescisão do acordo, firmado em 2017. Mas são formalmente delatores porque o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou se validará ou não a rescisão.

Sem confirmar referência a Joesley e ao grupo J&F, a Polícia Federal afirmou que, durante as apurações, houve clara comprovação de que empresários e funcionários do grupo investigado - inicialmente atuando em colaboração premiada com a PF - teriam praticado atos de obstrução de justiça, prejudicando a instrução criminal, com o objetivo de desviar a PF da linha de apuração adequada ao correto esclarecimento dos fatos. Daí o nome da Operação, "Capitu", a personagem dissimulada da obra prima de Machado de Assis, "Dom Casmurro"

Além de Antonio Andrade, os executivos da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saude, foram presos em São Paulo. Também foram presos o deputado estadual João Magalhães (MG) e o deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), ex-ministro da Agricultura.

A PF cumpre 63 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte (26), no Rio, São Paulo, Mato Grosso e Paraíba. A ação é feita após a delação de Lúcio Bolonha Funaro, doleiro e operador de propinas do MDB. As investigações dão conta de que, havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em troca de medidas para beneficiar as empresas dos Batistas.

Além de busca e apreensão na casa do vice-governador de Minas Gerais, a Polícia Federal faz buscas em seu gabinete. Além dos 63 mandados de busca e apreensão, há 19 mandados de prisão temporária, expedidos no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cumpridos no Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso.

Joesley Batista e Ricardo Saud já haviam sido presos anteriormente e foram liberados após uma delação premiada. Naquela ocasião, a prisão ocorreu após o pagamento de propina ao presidente Michel Temer (MDB) por intermédio do ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures. A gratificação indevida, uma mala com R$ 500 mil, foi entregue pelo ex-diretor de Assuntos Institucionais da J&F Ricardo Saud a Loures, em São Paulo, em abril de 2017.

Com informações do Estadão Conteúdo 

Galeria de Fotos

Vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB) e Joesley Batista Montagem O DIA
O empresário Joesley Batista, dono da JBS Rovena Rosa / Arquivo / Agência Brasil

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