Bolsonaro antecipou deputada ruralista para estancar crise na equipe de transição

Nos bastidores, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, passou a minar nomes que contavam com a simpatia do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Por Leandro Mazzini

Tereza Cristina (DEM-MS) e Bolsonaro ainda na campanha presidencial
Tereza Cristina (DEM-MS) e Bolsonaro ainda na campanha presidencial -

Brasília - O presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu antecipar o anúncio da deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS) para o comando do Ministério da Agricultura para estancar a crise que preocupava a equipe de transição.

Nos bastidores, o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antônio Nabhan Garcia, passou a minar nomes que contavam com a simpatia do futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Entre eles, os de Tereza Cristina, do deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) e outros da bancada ruralista. A estratégia de Nabhan era desgastar concorrentes e pavimentar seu nome para a chefia da pasta.

Lobby

Como esperado, Bolsonaro seguiu a indicação da ala de Lorenzoni. Antes da escolha de Tereza Cristina, Nabhan chegou a convocar amigos que comandam entidades do agro para apoiá-lo publicamente. Foi prontamente atendido e contou, em vão, com o lobby de 273 associações do campo que integram o Movimento Abril Verde e Amarelo.

Pavão

No auge da guerra com o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Nabhan disparou duras críticas em grupos de WhatsApp: "Já vi muito pavão virar espanador", escreveu o ruralista, além de chamar Onyx de prepotente e despreparado.

Bloco na rua

O deputado Carlos Sampaio (SP) já botou o bloco na rua para tentar se eleger o novo líder do PSDB na Câmara. Organizou um almoço na quarta-feira, 7, em Brasília, onde reuniu Doria, Aécio e deputados federais.

Presidente-propaganda

Depois do posto Ipiranga, agora o Leite Moça. Bolsonaro colocou em evidência sua receita de pão francês recheado com leite condensado. O que virá mais nas palavras e atos do presidente-propaganda?

Quórum

Com 10 deputados presos, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) terá dificuldades em fechar quórum para cumprir a agenda de votações definida na terça-feira, 6, dois dias antes da Operação Furna da Onça.

Calamidade

Um das prioridades da pauta da "propinolândia" - como definiu o procurador Carlos Aguiar - é a votação do projeto que prevê a prorrogação da situação de calamidade pública financeira do Estado, mantida, por enquanto, para o dia 4 de dezembro.

Açodamento 1

Alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), entrou em contradição ao pautar repentinamente, sem consultar os colegas, projetos que reajustaram os salários para ministros do STF e para o procurador-geral da República. Em agosto, o emedebista dissera que os projetos iriam ser analisados sem "açodamento".

Açodamento 2

À época, Eunício recusou-se, inclusive, a discutir as propostas nas sessões do esforço concentrado do Senado durante as eleições. "Isso (inclusão dos projetos na pauta) não foi discutido com nenhum líder", queixou-se pelos corredores da senadora Gleisi Hoffmann (PT).

Sistema S

O tempo anda fechado para os lados do Sistema S. Dias atrás, o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, reafirmou que entidades como Sebrae, Sesi, Sesc e Senai serão profundamente reformuladas. Na quarta, 7, foi a vez de a Comissão de Fiscalização Senado aprovar requerimento para que o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, apure junto ao Banco Central e ao Coaf se os dirigentes da CNI, da CNT, da CNA e da CNT têm contas bancárias no exterior, declaradas ou não.

Saque$

O requerimento é do tucano Ataídes Oliveira, que também quer saber se entidades fizeram saques superiores a R$ 50 mil, em dinheiro, entre 2014 e 2018. "Já passou da hora de se abrir a caixa-preta dos recursos bilionários recebidos por essas entidades", diz o senador.

De mau gosto

Presidente da CPI da Previdência, o senador Paulo Paim (PT-RS) taxa como "piada de mau gosto" a intenção do governo Temer e do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) de votar a Reforma da Previdência este ano.

Sonegação

O petista lembra que a CPI revelou que correções na gestão do sistema, combate à sonegação e cobrança dos devedores poderiam resolver os problemas no setor: "Eu discordo da forma, porque falam que vai ser o regime de capitalização. Vão privatizar a Previdência?".

Esplanadeira

A cantora Hanna fará homenagem pelos 115 anos de Ary Barroso, em apresentação da música Aquarela do Brasil, dia 19, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

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