Jair Bolsonaro neutro na eleição ao governo do Rio

Políticos do PSL que conquistaram vaga na Alerj decidiram por unanimidade fazer campanha para Wilson Witzel, mas o principal nome do partido não deverá declarar apoio ao ex-juiz. Campanha ao lado de Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável, impulsionou Witzel na reta final do primeiro turno. Eduardo Paes comemora

Por PAULO CAPELLI

Jair Bolsonaro: neutralidade, mas liberando os políticos do partido
Jair Bolsonaro: neutralidade, mas liberando os políticos do partido -

Rio - Como a Coluna previu, todos os 13 eleitos do PSL para a Assembleia Legislativa decidiram, neste terça-feira, apoiar Wilson Witzel (PSC) na corrida ao governo do Rio. Jair Bolsonaro (PSL-RJ), porém, tende à neutralidade. O presidenciável até vai liberar a bancada para fazer campanha para Witzel, mas não manifestará seu apoio pessoal ao ex-juiz.

A expectativa é comemorada por Eduardo Paes (DEM). O ex-prefeito atua nos bastidores para que o clã não declare apoio ao rival. No primeiro turno, Witzel chegou a caminhar na Baixada Fluminense ao lado de Flávio Bolsonaro (PSL), que se elegeu senador. Neste segundo turno, contudo, o ex-juiz deverá desfilar sem a grife Bolsonaro.

Hierarquia

Perguntado pela Coluna sobre eventual apoio público a Witzel, Flávio Bolsonaro responde: "Quem manda é o zero-um." E a decisão de Bolsonaro-pai sobre a eleição no Rio deverá ser oficializada na quinta-feira, após um encontro, na Barra, com os nomes do PSL que assumirão cadeiras na Câmara dos Deputados no ano que vem.

Orgânico

A neutralidade do clã Bolsonaro no segundo turno é minimizada por aliados de Witzel. Vice na chapa, Cláudio Castro (PSC) afirma que o eleitorado já assimilou a união entre ambos. "Quem vota no Bolsonaro vota no Witzel. É um apoio orgânico".

Alerj vai pegar fogo!

Dono da maior bancada da Alerj na próxima legislatura, o PSL até aceita não ocupar a presidência da Casa, tendo em vista que todos os 13 deputados estaduais serão novatos, mas avisa que não deixará um partido de esquerda presidir o Parlamento. "Sem essa de PT, Psol, PCdoB...", diz Flávio Bolsonaro.

Tiro, pancada e bomba

Ocorre que o presidente em exercício da Alerj é André Ceciliano (PT). O petista tem ótimo trânsito com deputados de diferentes cores partidárias e já conta com o apoio de sete legendas para continuar sentado na mais prestigiada cadeira do Parlamento.

Oportunidade

Quem pode se beneficiar com a encorpada do PSL na Alerj é André Corrêa (DEM), também de olho na presidência da Casa. A afinidade ideológica entre PSL e DEM, partidos de direita, favorece. Corrêa ganharia ainda mais força com eventual eleição de Paes, seu correligionário.

No páreo

Deputado reeleito, Márcio Pacheco, do mesmo PSC de Witzel, colocou seu nome para disputar a presidência da Alerj.

A fé não costuma falhar

O prefeito Marcelo Crivella (PRB) publicou um vídeo ontem, no Instagram, dando força ao rebento Crivella Filho (PRB), que não conseguiu se eleger deputado federal. "Eu também já perdi várias eleições. O que a gente não pode perder é a fé. Nunca desistir", disse.

Aliás

O clã pecou ao acreditar que Crivella teria força, por si só, para eleger o filho. Não entrou de cabeça na Igreja Universal. Candidatos do PRB como Rosângela Gomes (64 mil votos), Jorge Braz (58 mil) e Benedito Alves (52 mil) captaram os fiéis da igreja de Edir Macedo.

O garoto de Garotinho

Filho do ex-governador Anthony Garotinho (PRP), Wladimir Garotinho (PRP), recém-eleito deputado federal, declara apoio a Witzel: "Tem que tirar o PMDB."

Comentários