Após prisões, clã Bolsonaro estipula novo critério para nome à presidência da Alerj

PSL estuda lançar candidatura própria ou apoiar deputado de outro partido, mas já sabe que não votará em parlamentares que optaram por soltar Edson Albertassi, Jorge Picciani e Paulo Melo da cadeia

Por PAULO CAPPELLI

Presidido por Flávio Bolsonaro no estado, o PSL terá a maior bancada da próxima legislatura, com 13 deputados
Presidido por Flávio Bolsonaro no estado, o PSL terá a maior bancada da próxima legislatura, com 13 deputados -

Apesar da prisão temporária, André Corrêa (DEM) diz que ainda é postulante à presidência da Assembleia Legislativa, mas o desembarque de sua candidatura já começou. O demista, que comemorava esta semana a adesão do PSL à sua campanha, viu o apoio do partido de Bolsonaro se evaporar junto com sua liberdade. Dono da maior bancada da próxima legislatura, o PSL estabeleceu novo critério para apoiar um nome para o comando da Alerj: além de não pertencer a partido de esquerda, o pretendente não pode ter votado, no ano passado, pela soltura de Edson Albertassi (MDB), Jorge Picciani (MDB) e Paulo Melo (MDB) — caso de Corrêa.

Ou seja, a eventual saída de Corrêa do pleito não transfere o apoio do PSL para André Ceciliano (PT), presidente que tenta permanecer na cadeira. "Por exclusão, para defenestrar o PT da presidência da Alerj e o Psol da Comissão de Direitos Humanos, até admitíamos apoiar o André Corrêa. Agora, estudamos outro nome viável para derrotar o PT ou, até mesmo, lançar uma candidatura própria, ideia cada vez mais viável", afirma o deputado eleito Rodrigo Amorim (PSL).

Segue

O nome de Márcio Pacheco (PSC) chegou a ganhar força nas bolsas de apostas para suceder a Corrêa, mas o fato de ser do mesmo partido do governador eleito Wilson Witzel enfraquece a possibilidade. Há quem acredite que escolher um presidente da Alerj que seja do mesmo do governador é uma receita para o fracasso — vide a experiência dos últimos anos.

Alívio

Ontem, Witzel respirou aliviado. Apesar da pressão pelo apoio a Corrêa, o ex-juiz tem se mantido neutro na disputa pela presidência da Casa.

O comando é meu

Mais que isso, Witzel deu um, digamos, esporro, em um político próximo, muito próximo, que trabalhava em prol de Corrêa.

Você leu aqui

Em 5 de fevereiro, o Informe revelou que o Ministério Público Federal montava uma operação na Assembleia Legislativa. "Investigadores acreditam que, em breve, mais deputados estaduais vão se juntar a Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi", escreveu a Coluna.

Aliás

Ainda não acabou. Tem mais deputado na lista.

No mais

Um ex-governador preso. Uma dezena de deputados estaduais presos, entre eles dois ex-presidentes da Alerj. Todos os casos denunciados pelo MP Federal. Faz sentido. O ex-chefe do Ministério Público do Estado do Rio Claudio Lopes foi preso ontem acusado de receber propina para acobertar os esquemas de Sérgio Cabral. Se comprovada a denúncia, certamente mais integrantes do MP do Rio deverão entrar em cana em breve.

Subiu a plaquinha?

A prisão de Luiz Martins (PDT) pode fazer com que o clã Fernandes mantenha um integrante na Alerj na próxima legislatura. Ainda que 'adotado', por não ter parentesco, Sérgio Fernandes (PDT) foi apoiado por Pedro Fernandes para a Casa e é o primeiro suplente para a vaga do PDT. Os outros suplentes que podem ser beneficiados são Milton Rangel (DEM), Sérgio Louback (PSC), Capitão Nelson (Avante) e Bagueira (SD). Eles entrariam respectivamente nos lugares de André Corrêa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Marcos Abrahão (Avante) e Neskau (PTB).

Alerj sem PTB

Pela coligação, o SD ganharia a única cadeira do PTB.

Comentários