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Com Gilberto Braga

Mudança na conta e no cheque especial

Como as alterações podem afetar o seu bolso?

Por O Dia

Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 327,9% em janeiro
Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 327,9% em janeiro -

Rio - Desde o começo de julho, as regras da conta salário e do cheque especial mudaram. Agora, é possível escolher onde receber o salário, definindo o banco de sua conveniência para o crédito, mediante o uso da portabilidade. Vale, inclusive, optar por bancos virtuais, que não têm agências físicas e funcionam pela internet, principalmente por aplicativos de celulares. A vantagem para quem se habitua a essa facilidade é não pagar a cesta de tarifas que os grandes bancos cobram.

Uma instituição mandou mensagem eletrônica para uma amiga informando que não iria mais enviar correspondências, para conforto dela, somente mensagens eletrônicas. E que poderia obter todas as informações pelo site. A amiga postou a história nas redes sociais: "Conforto meu ou seu, porque não me consultaram se eu concordava?" O banco cobra quase R$ 90 de tarifa da conta e não reduziu o valor pela economia de papel e serviço de correios.

De fato, é hora de se pensar o quanto se paga de cesta mensal para manter uma conta corrente e comparar com o serviço que é prestado.

No caso do cheque especial foram mais mudanças. Agora os bancos não podem mais somar o limite com o saldo real e dizer para o cliente que ele tem todo esse valor "disponível". Muita gente desavisada entrava no vermelho devido à essa pegadinha ardilosa.

Também, toda vez que o cliente virar o saldo de positivo para negativo o banco fica obrigado a emitir alerta. Pode ser e-mail, mensagem de texto ou outra forma acordada entre as partes. Se o cliente ficar no vermelho por 30 dias, usando mais de 15% do limite, o banco vai emitir novo aviso, com a possibilidade de transformar a dívida do especial em operação de crédito a ser negociada. Pode ser um consignado, um empréstimo tradicional ou qualquer outra forma, desde que os juros sejam menores.Naturalmente, a pessoa pode optar por continuar na bola de neve dos juros escorchantes do especial tradicional.

Acredito que são iniciativas válidas e que são boas para os dois lados. Para o cliente, por pagar menos juros e poder renegociar a dívida num prazo mais conveniente. Para os bancos, por reduzirem a inadimplência e aumentarem ainda mais os recebimentos em dia dos devedores. O que falta nesse processo todo é educação financeira, pois não adianta só criar ferramentas mais baratas de crédito, é preciso ensinar a usar o dinheiro corretamente.

Poucos aprenderam a fazer conta de juros e a montar orçamento de despesas. Há falha generalizada da sociedade, que estimula a gastança, sem ensinar os fundamentos da matemática.

Gilberto Braga é professor de finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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