Clima favorece ataque de abelhas

Na primavera e verão os insetos se unem para novas colmeias e acabam invadindo espaços urbanos

Por *Luana Dandara

Preservação da espécie: Corpo de Bombeiros recomenda a contratação de um apicultor para retirada de colmeias em ambiente urbano
Preservação da espécie: Corpo de Bombeiros recomenda a contratação de um apicultor para retirada de colmeias em ambiente urbano -

Rio - Essenciais para a polinização e para a manutenção do ecossistema, as abelhas possuem também um complexo sistema de defesa. Quando se sentem atacados, os insetos lançam um feromônio que sinaliza a toda a colmeia para investir no alvo. Sozinhas, elas parecerem inofensivas, mas em enxame, podem causar grandes lesões em seres humanos e animais, e até levar a morte. E nessa época da primavera e verão é quando os acidentes aumentam ainda mais.

Na última segunda-feira, três banhistas foram surpreendidos por um ataque na Praia do Pepê, na Barra da Tijuca. As vítimas foram socorridas no Hospital Municipal Lourenço Jorge, medicadas e liberadas. Neste mês, um enxame também invadiu o banheiro da BandNews FM, em Botafogo. Segundo o biólogo de Furnas Geraldo Espínola, na primavera e verão acontece o fenômeno da enxameação.

"É um comportamento de colonizar novos espaços. A colmeia se divide, é escolhida uma nova abelha rainha, e a rainha anterior migra com parte das operárias, cerca de 40 mil. Nessa migração em busca de um local seguro, é que, geralmente, ocorrem os ataques", disse Espínola. A espécie em questão é a abelha europeia africanizada, trazida pra o Brasil em 1950, que apesar de mais agressiva, fabrica mais mel. As reações desencadeadas pela picada variam de acordo com o local e o número de ferroadas, assim como características e alergias de quem é atingido. Em casos graves, pode acontecer hemorragia interna, choque anafilático e até parada respiratória.

Apicultor há 27 anos, Marcelo Miranda afirma que o inseto é defensivo, não ofensivo. "Elas atacam para proteger a colmeia. Então, pode ser um galho que caí na colmeia ou um produto químico que as irritou, como desodorante e protetor solar. E elas só param quando não tem mais batimento cardíaco do animal ou do ser humano", ponderou. De acordo com ele, roupas escuras desencadeiam ainda mais o comportamento agressivo desses animais. Por isso, a primeira recomendação para prevenir acidentes é não se aproximar de colmeias. No entanto, com a expansão urbana, novos enxames podem se alojar em casas, postes, e fendas em muros e paredes. Nesses casos, o ideal é evitar movimentos bruscos e sons altos próximo à colmeia.

Ao encontrar uma colmeia de abelhas em região urbana, o Corpo de Bombeiros recomenda acionar um apicultor, assim a retirada do ninho pode ser feita preservando os insetos e sem risco aos moradores. A corporação atua apenas em caráter emergencial pelo 193, e reforça que as abelhas fazem parte da flora, e o extermínio do inseto é crime ambiental. Segundo Miranda, o trabalho custa, em média, R$ 300.

O biólogo Espínola reitera que as abelhas não devem ser vistas como inimigas. "Elas influenciam diretamente na produção alimentícia. E estão desaparecendo e ainda não sabemos o motivo".

Fique atento

- Para evitar acidentes com abelhas, não devem ser feitos movimentos bruscos, além de gritar ou ligar máquinas barulhentas próximo à colmeia.

- Produtos químicos, como inseticidas, não devem ser usados para espantar os insetos, pois provocam a reação deles, que atacam em massa.

- No caso de ataque de um enxame, o procedimento é fugir do local e procurar abrigo em um lugar escuro. É aconselhado pelo apicultor correr em zigue-zague, e proteger o rosto e pescoço das picadas.

- Bater ou esmagar as abelhas pode provocar mais a ira do animal. Especialistas orientam a usar manta de cor clara em cima da vítima.

- Pular na água também não é uma boa opção, pois os insetos esperam a imersão para ferroar o alvo.

- A remoção de colmeias deve ser realizada apenas por apicultores. O Corpo de Bombeiros atua em casos de emergência, e pode ser acionado pelo número 193.

*Estagiária sob supervisão de Angélica Fernandes

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