Estúdio: Zeca Baleiro reprisa 'Chão de Giz' de Ramalho

Intérprete sagaz, o maranhense aceitou o desafio de em show dar voz a esse cancioneiro místico e mítico

Por O Dia

Rio - A obra apocalíptica de Zé Ramalho encontra sua melhor interpretação e tradução na voz cavernosa do cantor e compositor paraibano. Intérprete sagaz, o maranhense Zeca Baleiro aceitou o desafio de dar voz a esse cancioneiro místico e mítico em show dirigido por Monique Gardenberg para projeto do Banco do Brasil. Dois anos após a estreia do show, em 2013, ‘Chão de giz - Zeca Baleiro canta Zé Ramalho’ ganha edição em DVD e CD ao vivo postos esta semana nas lojas pela gravadora Som Livre.

O show ganha registro mais azeitado do que a apresentação carioca da turnê, feita no Rio em novembro daquele ano de 2013. Baleiro jamais oferece interpretação antológica de qualquer uma das 21 músicas do roteiro. Só que, no todo, sua abordagem da obra de Ramalho soa harmoniosa.

Zeca Baleiro canta hits e músicas obscuras de Zé Ramalho%2C como ‘Desejo de mouro’%2C no DVD ‘Chão de giz’Divulgação

Como Baleiro conceitua no texto que escreveu para apresentar o projeto fonográfico, Gardenberg deu tom sombrio e poético ao DVD, que exibe nos extras o clipe de ‘Garoto de aluguel (Taxy boy)’ (Zé Ramalho, 1979), filmado para o show pela diretora.

Entre sucessos como ‘Admirável gado novo’ (música de 1979 acompanhada em coro pelo público que testemunhou a gravação) e músicas menos ouvidas, caso de ‘Desejo de mouro’ (entoada ‘a capella’ por Baleiro em registro que evoca os cantadores nordestinos que influenciaram o cancioneiro de Ramalho), Baleiro revive parceria sua com o homenageado, ‘O rei do rock’, lançada por Zé em 2007. A música tem o tom meio ‘dylanesco’ que caracteriza parte da obra de Ramalho.

Se ‘A terceira lâmina’ (1981) poderia soar mais cortante, ‘A dança das borboletas’ (parceria de Ramalho com Alceu Valença, de 1977) tem sua aura viajante acentuada na gravação ao vivo. Cabe destacar ainda o arranjo, em clima de forró de pé-de-serra, de ‘Um pequeno xote’, música de 1981. Enfim, Baleiro repisa o ‘chão de giz’ do colega com intimidade. Mas é melhor ouvir Ramalho na voz do próprio Zé. Ou na de Elba.

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