'Pega Pega': Irene Ravache vive empresária megera que odeia o Brasil

Na vida real, atriz afirma amar o país e critica o cenário político atual e a corrupção

Por O Dia

Irene Ravache Divulgação

Rio - Irene Ravache, assim como muitos brasileiros, está cansada do cenário político atual. “Eu fui de esquerda, fugi de polícia, volta e meia estava no palanque das Diretas Já, mas eu não entendo esquerda que compactua com corrupto, não entendo esquerda que faz aliança com bandido”, desabafa ela, que pela primeira vez na carreira interpretará uma grande vilã, a Sabine Favre, de ‘Pega Pega’, que estreia hoje, às 19h, na Globo.

“E, às vezes, quando nós externamos essa opinião as pessoas dizem: ‘então você é coxinha’. Não, sou uma cidadã indignada. Essa divisão que aconteceu no país pós-PT é burra. Eu não entendo aliança com um presidente que sofreu impeachment, que é o Collor, não entendo uma aliança com Sarney. Quando você diz: ‘Eu não entendo isso’, as pessoas rotulam. Amo meu país e espero que, se vierem as Diretas, seja eleito um representante que não tenha processo em qualquer instância. Ficha limpa é o mínimo. Temos de brigar por isso”, torce.

HISTÓRIA DA NOVELA

Na trama de Claudia Souto, Sabine Favre (Irene Ravache) é uma suíço-brasileira viúva e arrogante ao extremo — e uma homenagem a Odete Roitman (Beatriz Segall), de ‘Vale Tudo’, novela que completará 30 anos em 2018. “Minha personagem detesta este país, como ela mesma fala, ‘insuportavelmente colorido’. E não vê a hora de voltar para a Suíça. Ela tem várias caras. Se a situação a favorece, ela vai usar uma cara ou outra. Ela é desagradável”, explica a atriz, que assumiu os fios brancos para a trama. Uso um xampu específico para manter o cabelo — que quebra com facilidade — hidratado e também para não amarelar”, conta.

ADOTA UM GAROTO NEGRO

Ainda na história, Sabine reclama de tudo: do calor, da música, do brasileiro. Quando chega da Europa, ainda no aeroporto, o taxista pergunta se o jovem que está com ela é o carregador de malas. É o suficiente para ela maltratar o motorista o máximo que puder. O motivo da ira é porque Sabine adotou, ilegalmente, no Brasil, Don (David Junior, na fase adulta), um jovem negro — adoção e discriminação serão alguns dos temas da novela.

A veterana fala que vê através de depoimentos e documentários que nem sempre a adoção se dá de forma tão fácil como alguns casais gostariam e como algumas crianças precisariam. “Ainda existem alguns entraves. Por exemplo, se a mulher é solteira, ela tem dificuldade para adotar. Os casais gays ainda têm um caminho muito longo, quando no fundo, o que vemos são crianças precisando. Lastimável, isso”, indigna-se.

Irene Ravache em cena de 'Pega Pega'Divulgação


VERDADE SEMPRE

Don é filho de uma cozinheira, Madalena (Virginia Rosa), mas sumiu de casa quando pequeno e foi achado por Sabine vagando na rua. A milionária levou o garoto para a Suíça e lá ele estudou nos melhores colégios. Apesar disso, ainda assim é louco pelo país de origem, o que irrita profundamente a mãe coruja. De volta ao Brasil, Don ficará dividido entre a mãe biológica e a adotiva. “Mas se adotasse, certamente essa criança saberia de tudo desde o início. Já vi casos de pais que não revelaram a verdade logo e isso gerou um sofrimento enorme depois”, lembra ela, que é casada há 45 anos com o jornalista Edison Paes de Melo Filho e mãe de dois filhos biológicos.

CASO COM HOMEM MAIS NOVO

Ambiciosa, Sabine sai da Suíça para tomar a dianteira dos negócios da família e enfrentar o sócio e desafeto Eric (Mateus Solano). O mau-caráter foi acusado de envolvimento no roubo de 40 milhões de dólares do hotel Carioca Palace, de Pedrinho Guimarães (Marcos Caruso), ex-affair da megera. O reencontro dos ex-parceiros tem tudo para reacender uma antiga paixão se não fosse pelo médico Adriano (Márcio Kieling), de 39 anos, com quem a ricaça se diverte quando quer e nem sonha em assumir o caso entre eles. “Ela é uma mulher livre e desempedida”, salienta.

Irene Ravache Divulgação

SEM RÓTULOS

Aos 72 anos, a atriz rejeita rótulos como feminismo, pois eles engessam. “Lutar por salários iguais não é feminismo. É uma questão de cidadania”, defende. Com uma carreira de 56 anos, Irene diz que ainda tem muito o que aprender e que estuda para não fazer feio. “Como atriz, tem horas que me acho mediana, coisas que eu gostaria de ter feito e não fiz; e sei que não vou fazer mais até pela questão da idade”, frisa.

SONHA COM EMMY

Apesar disso, ela conta que se ganhasse um prêmio Emmy (considerado o Oscar da TV), ficaria bem feliz — ela já foi indicada na categoria de Melhor Atriz, em 2008, por sua personagem na novela ‘Eterna Magia’, da Globo. “Gosto de prêmios, é um reconhecimento, uma prova de que alguém prestou atenção no seu trabalho”, entrega. 

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