Diversão

Mônica Martelli fala de casamento, traição, separação e de peça de teatro

Aos 49 anos, atriz namora à distância e conta que adora dormir de conchinha

Rio - “Já fui galinha no teatro, fui tartaruga na TV, secretária também. Milhões de participações, com uma indefinição na carreira muito grande. Quando me via esperando o telefone tocar, que alguém tivesse olhos para mim, que reconhecesse o meu trabalho, isso me dava muita agonia, uma ansiedade”, revela a atriz e apresentadora Mônica Martelli, de 49 anos.

Mônica Martelli fala de casamento, traição, separação e da peça que virou fenômeno Divulgação

Ela está em cartaz até 30 de julho com a peça ‘Minha Vida em Marte’, no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, prepara a quarta temporada da série ‘Os Homens São de Marte... E é Pra Lá Que Eu Vou’, do GNT, e roda no ano que vem um novo filme da saga. “O tempo virou artigo de luxo para mim hoje. Estou tendo que saber optar o que faço e o que não faço. Tenho uma filha (Júlia) de sete anos, que eu quero cuidar, levar à escola, que eu quero estar presente e junto”, derrete-se.

A GRANDE GUINADA
Tudo mudou quando ela tomou a direção da carreira (e da vida), escreveu e produziu a peça ‘Os Homens São de Marte... E É Para Lá Que Eu Vou’. Assim, aos 36 anos, ela assumia o controle a partir dali. O espetáculo, que estreou em 2005, levou mais de 2,5 milhões ao teatro e mais de 2 milhões ao cinema para ver o longa homônimo em 2014.

Agora, 12 anos depois da estreia da peça, Mônica está em cartaz com o divertido monólogo ‘Minha Vida em Marte’, que é uma continuação da história de sucesso. “Sou autora, única atriz em cena e uma das produtoras. Ganhei dinheiro com teatro, sim. Mas é uma situação particular quando se ganha dinheiro com teatro. A folha de pagamento é muito grande, o elenco é grande, tem autor para pagar, produção. Normalmente é mais complicado, mas dá para ganhar, sim”, confessa.

EXPERIÊNCIAS NO TEXTO
Mônica enfatiza que poderia ter feito uma peça de outro autor depois do sucesso do seu monólogo, mas ela sempre desejou continuar a história de Fernanda, sua personagem no texto. “Gosto de escrever partindo das minhas experiências. A partir do momento que escrevo, aquilo já não me pertence mais. Já virou arte, já é de todo mundo”, detalha a autora.

SEPARAÇÃO
A longa espera não foi por acaso. Mônica precisava se curar da separação, depois do término do casamento de dez anos com o produtor musical Jerry Marques. “O divórcio é uma das maiores dores da vida adulta. Quando você separa, vai embora pela porta junto tudo que você sonhou. Todos os seus projetos de família, tudo que você idealizou... São muitos laços desfeitos. Quando se tem filho, é mais doloroso ainda”, explica.

Mônica precisou de um tempo para se distanciar de tudo que viveu no casamento e no divórcio, e defende a importância desse momento. “A gente tem que saber que vai viver um luto e é natural que aconteça esse luto. Quando termina um casamento, você acumulou mágoas, rancores. Isso tem que ser dissolvido para sair um texto com reflexão, bacana, mas com leveza e com humor”, explica, aos risos.

NADA DE XERETAR
A atriz conta que um dos maiores equívocos de quem se separa é, quando solteira (o), bisbilhotar a rede social do ex-parceiro(a). Ela mesma fez isso e não recomenda. “Você entra para ver se a pessoa está bem. Você vê que a pessoa está bem, e aí é você que fica mal. Você quer que a pessoa esteja pior do que você. Esse é o grande desejo da gente, quando separa”, abre o coração.

“Mas isso é uma ilusão porque o outro pode postar uma foto tomando cerveja e você acha ele que está o máximo. E de repente, ele está na merda com o amigo, chorando. Se eu pudesse dar um conselho, é não entrar em rede social depois que se separa. É sofrimento certo”, acrescenta ela, com bom humor.

HISTÓRIA DA PEÇA
No monólogo, Fernanda (Mônica Martelli) luta para continuar casada, para voltar a ter tesão pelo marido. Não porque ela seja fã de manter um projeto de família feliz, mas porque o casamento era um sonho para ela.

“Quando casamos, o nosso desejo é que dure para sempre. Ninguém casa para terminar. A gente deseja que aquele amor dure. Só que a gente encontra milhões de problemas que um casamento traz. Um dos problemas é a falta de libido. O casamento traz uma irmandade, em que você vai começando a transar menos”, explica a atriz.

“Existe uma coisa no casamento muito comum, que é você adiar o afeto. É quando você vira e fala: ‘Ah, hoje estou cansado, a gente transa amanhã’. Você vai adiando. Porque é marido e está ali do lado, você adia. O que não acontece, por exemplo, quando você está namorando. No meu caso agora, namorando à distância, a gente tem a paixão. Até isso no início do namoro é bom”, diverte-se ela, que namora o publicitário Marcelo Augusto dos Santos, de 42 anos.

DORMIR DE CONCHINHA
Mônica mora no Rio e Marcelo, em São Paulo. Entre as vantagens de um namoro à distância, a atriz aponta os encontros. “São uma delícia”, provoca. “A desvantagem é a saudade que a gente sente e a vontade de dormir de conchinha. Adoro dormir de conchinha. Mas gosto de estar sozinha também. Estou gostando muito dessa fase de namorar. Mas sinto falta, obviamente”, entrega.

NOVO CASAMENTO?
Quando perguntada se pensa em se casar novamente, ela é direta. “Pode ser que eu pense em casar novamente. Mas deixa rolar. Está tão bom como está agora que não queria mudar nada”, avisa, aos risos. Para ela, o fato de a mulher ser independente atrai e igualmente assusta os homens. “O maior medo do homem na vida é ser corno. Eles pensam: ‘Ah, essa mulher vai me trair, ela é independente, tem dinheiro, faz o que ela quer’. E não é nada disso, amor. Quanto mais independente que a gente é, mais a gente trabalha, e menos tem tempo para trair. Mal tem tempo de dar conta do namorado, marido, quanto mais pensar em trair”, brinca.

RESPOSTA DO PÚBLICO
Divertida, franca e bem-resolvida, Mônica Martelli conta que teve medo de não conseguir superar o sucesso de ‘Os Homens São de Marte... E É Para Lá Que Eu Vou’. Mas que isso não a paralisou, pelo contrário. Se viu instigada.

“Escrevi com verdade. O sucesso é a verdade em cena. As pessoas quando saem da peça falam: ‘Vem cá, você mora lá em casa? Morou lá em casa para escrever? Porque essa é a minha vida’. É o que mais ouço hoje. Tem muita verdade em cena, tudo que passei, todas as minhas desilusões, ilusões, alegrias, tentativas, meus sofrimentos, expectativas, tudo que passei coloquei. Acho que acontece a mesma coisa. A pessoa se vê em cena. É muita identificação, todo mundo já passou ou vai passar por alguma situação que a Fernanda passa”, frisa.

QUASE CINQUENTA
Aos 49 anos, Mônica está bem, obrigado. “Quando você se sente bem, feliz e completa, você atravessa as fases da vida de forma harmoniosa”, defende. O corpo muda, é claro, mas a atriz não fica grilada com isso. Ela se cuida, mas sem exageros. “Já fiz vários tratamentos de pele. Não quero aparentar ter 30 anos, quero ser uma mulher bonita de 49. Quero me olhar no espelho e falar: ‘Eu gosto de você’. Quero me sentir bem comigo com 49, 50 e por aí vai...”.

PROJETOS
No campo profissional, a quarta temporada de ‘Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou’ está prevista para estrear no ano que vem. Na continuação da saga, Fernanda (Mônica) poderá encontrar um amor mais tranquilo, sem as necessidades das grandes emoções ou sobressaltos. “Acho que isso é algo bacana de abordar, que você quer uma outra qualidade de relação”, salienta Mônica.

Além disso, no início de 2018, a atriz roda a segunda parte do filme ‘Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou’, por enquanto, sem previsão de estreia. “Ia ser no final deste ano, teve que andar um pouco, o Paulo Gustavo também faz uma participação grande e tivemos que ajustar nossas agendas”, frisa.

VIDA PESSOAL
Na vida pessoal, ela não tem muitos desejos. “Eu já tenho meu apartamento que amo e moro com a minha filha. Tenho sonho de consumo de experiências. Quero viajar mais, primeiro preciso ter tempo. Meu sonho de consumo é ter tempo, depois é viajar. Viajar com a minha filha, com meu namorado, comer comidas maravilhosas. Meu sonho de consumo é de experiências, mais do que bens materiais”, pontua. 

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