Unidos da Ponte quer uma quadra e o título do Grupo B

Escola, que já fez parte por 10 anos da elite do Carnaval, vai com tudo para voltar a desfilar na Marquês de Sapucaí

Por O Dia

Rio - "Minha história é você, nossa paixão é por ti São João de Meriti". É neste enredo que a Unidos da Ponte, que desfila no dia 2 de março, no Grupo de Acesso B, aposta para voltar a ser grande e se tornar uma das principais escolas de samba da Baixada Fluminense. Para isso, a agremiação vai contar em peso com apoio da comunidade de Vilar dos Teles, que promete surpreender os jurados.

A rainha Ísis Figueiredo entre o casal de mestre-sala e porta-bandeira%2C Johny e Beatriz. Eles prometem fazer um Carnaval nota 10José Pedro Monteiro / Agência O Dia

A Azul e Branca, que desfilou por 10 anos no Grupo Especial entre as décadas de 80 e 90, tenta resgatar sua imagem que, segundo o presidente da Ponte, Sérgio Aguiar, ficou desgastada ao passar dos anos. “Ainda não temos quadra, mas vamos nos reunir com o prefeito de São João de Meriti, Sandro Matos, que prometeu ajudar a conseguir um espaço. Vamos nos reerguer e voltar a desfilar na Série A, em 2016”, acredita.

Enquanto a quadra não é providenciada, os ensaios estão sendo realizados aos sábados, das 19h à 1h, com entrada gratuita em uma casa de shows, que empresta o espaço na Avenida Nossa Senhora das Graças, no Centro.

Para entrar mais motivada na avenida, a diretoria está recuperando os ex-integrantes da escola. “Por falta de investimentos, muitos migraram para a Beija-Flor e Grande Rio, mas voltando a ser a segunda força na Baixada, teremos a volta de componentes antigos”, espera o presidente.

A Ponte, que desfila na Intendente Magalhães, no Campinho, ao lado de 14 escolas, entrará na avenida com 800 componentes, divididos em 16 alas, um carro alegórico e três tripés (carros pequenos).

“Vamos entrar para ganhar e contar o início da formação de Meriti no século 16, que era dominado pelos índios tupinambás. Depois a chegada dos portugueses e dos escravos. A Ponte não vai brincar neste Carnaval”, avisa um dos carnavalescos, Ricardo Paulino.

A Ponte, que está construindo seus carros alegóricos em Santo Cristo, num galpão da Prefeitura do Rio, ainda terá como princesa dos ritmistas, Anna Bia Aguiar, 12 anos, filha do presidente. “Ela é Ponte. Está no sangue. Não tem jeito”, gaba-se Sérgio Aguiar.

Rainha de bateria é de Vilar dos Teles

Estreante como rainha de bateria na Unidos da Ponte, a recepcionista Ísis Figueiredo, de 23 anos, promete tirar nota 10 com o samba no pé. Mãe de três meninas, de 2, 3 e 7 anos, ela, que mora em São João de Meriti, sonha ver as filhas desfilando pela Ponte na Marquês de Sapucaí.

“Elas já gostam de samba e vão se dedicar à escola. Daqui uns anos estarão sambando pela Ponte no Grupo Especial. A Ponte é como uma religião, uma família. É a minha casa”, comenta a musa, que deve desfilar em outras escolas. “Tem que se preparar fisicamente, mas estou pronta”.

Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira Johny Kisses e Beatriz Andrade o envolvimento da comunidade será o diferencial da escola. “Todos os jovens estão focados no título da Ponte, que voltará a ser grande. Há uma harmonia entre nós e todos querem fazer um carnaval digno. Isso me emociona”, conta Johny.

Azul será a cor predominante

O carnavalesco Ricardo Paulino conta que o azul será a cor predominante nos desfile da agremiação. “Teremos 50 baianas, 50 crianças e 150 pessoas na bateria, que promete arrepiar. O carro alegórico vai mostrar a chegada dos imigrantes à cidade”, adianta Paulino.

Segundo ele, as fantasias são feitas com garrafas e papelões recicláveis. “Aproveitamos tudo. Dá para fazer um carnaval barato e bem bonito”, garante. Já os carros alegóricos estão sendo feitos num galpão concedido pela Prefeitura do Rio no bairro de Santo Cristo.

No ateliê%2C oito jovens da comunidade com idade entre 15 a 21 anos fazem as fantasias da agremiaçãoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Jovens confeccionam fantasias desde outubro

Num ateliê com oito metros de comprimento e oito de largura, onde funciona um centro de candomblé, é que oito jovens da comunidade com idade entre 15 a 21 anos, confeccionam as fantasias desde outubro.

A estudante Andressa Silva da Cruz, de 14 anos, é uma delas. A jovem, que sonha um dia ser passista da escola, se sente orgulhosa em poder ajudar a Unidos da Ponte neste carnaval.
“O título da escola virá também com o nosso suor. Aqui, aprendi a bordar e colar. Sou apaixonada por Carnaval”, diz a menina.

Há três anos, o estudante Luís Cláudio Júnior, 18, confecciona fantasias para a Ponte. Ele, que se tornou um profissional, vai viajar para Porto Alegre, onde fará com outros cinco jovens de Meriti o carnaval de uma escola local. “É gratificante”, comemora o rapaz.

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