Sonho argentino em verde e rosa

Rainha de bateria da única escola de samba do nosso país vizinho, Camila Partenza vem morar no Rio para tentar desfilar na Mangueira

Por O Dia

San Luis, Argentina - Há cinco anos, nesta mesma época do ano, uma tropa do samba carioca aterrissa na pequena e pacata cidade argentina San Luis, a 800km da capital Buenos Aires. Os hermanos piram com o nosso ritmo e, claro, com as nossas exuberantes mulatas. Porém, ali no meio da batucada, uma bela jovem argentina de 18 anos, branquinha, rouba olhares mais atentos, mostra que tem samba no pé e faz frente às passistas das tradicionais Portela, Salgueiro ou Beija-Flor. Camila Partenza é rainha de bateria da única escola de samba de lá, a Sierra Del Carnaval. Estrela máxima local nesta quinta edição do ‘Carnaval de Rio en San Luis’ (evento organizado pela Gangazumba, produtora do ator Antonio Pitanga, que aconteceu de sexta-feira até ontem), ela quer mesmo é largar tudo e vir curtir as praias daqui. 

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Camila Partenza é rainha de bateria da única escola de samba da Argentina%2C a Sierra Del CarnavalDiego Mendes / Divulgação


“Nasci no país errado! Este ano me mudo para o Rio, inicialmente para dar aulas de espanhol, e ir tentando uma vaga em alguma das escolas de samba. Meu sonho é desfilar na Mangueira”, deseja ela, arriscando-se no português com bastante desenvoltura. “É a escola brasileira mais popular na Argentina, mas não é por isso que sou encantada por ela, são as cores verde e rosa, a bateria, toda sua história”.

Camila chegou a receber um convite da Mocidade Independente de Padre Miguel para desfilar este ano, mas teve que recusar por conta da preparação para o evento em San Luis.
“Fiquei muito triste. Já avisei que ano que vem não vou poder trabalhar pela Sierra. Gosto da Mangueira, mas se o convite vier de outra escola, tudo bem!”, disponibiliza-se.
Camila Partenza só esteve no Rio duas vezes, ambas em 2013. Na primeira, chegou até a desfilar no nosso sambódromo pela pequena União do Parque Curicica, de Jacarepaguá. Logo depois, voltou atendendo convite do programa ‘Encontro Com Fátima Bernardes’ para falar sobre o tema ‘Como o Samba Foi Para o Mundo’.

“Nossa, tenho tanta saudade do cheiro do mar. Conheci Santa Teresa, Lapa, o Cristo, Pão de Açúcar. É o visual mais lindo que já vi na vida. Quero conhecer Búzios, e também ir à Bahia”, lista.

Dá para imaginar que os cariocas deram em cima dela sem qualquer cerimônia.
“Me assediaram muito”, assume, com um riso tímido. “Pensei que as brasileiras é que eram as mulheres mais lindas do mundo, mas os cariocas ficaram doidos comigo. Foi da mesma forma que vejo as mulheres argentinas se derreterem pelos negros brasileiros. Elas adoram!”, revela.

CAMILA, CAMILA

Ao contrário do que se possa imaginar, Camila Partenza não curte o tango, emblemático gênero musical de seu país, que está para a Argentina assim como o samba está para o Brasil. Mas nem por isso seu gosto musical é monotemático. “Gosto de hip hop, e integro até um grupo de dança de rua, o Urban Dance. E adoro rock, recomendo a banda argentina Callejeros”, sugere.

Ela, no entanto, nunca ouviu falar no sucesso brasileiro que leva seu nome, ‘Camila, Camila’, do grupo gaúcho Nenhum de Nós. Lógico que fizemos questão colocar para tocar a canção para a moça, que aprovou o som. “Adorei!”, elogia, já pegando o nome do grupo e salvando o link com a música em seu celular. “Tem uma banda argentina chamada Camila, que só toca musica romântica, mas deste eu não gosto”.

Mas, afinal, os argentinos têm ou não têm o samba no pé? “Não!”, descarta. “De maneira geral, o povo daqui não leva muito jeito para sambar. Até que tentam, mas sempre fica algo desengonçado, com as pernas abertas. Dizem que eu sambo muito bem, mas eu sempre digo que estou apenas aprendendo.”

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