Celeiro de talentos, a Corações Unidos dá lição de samba

Escola mirim, que reúne alunos da rede pública, homenageia mulheres cariocas

Por O Dia

Rio - Onde se aprende Matemática e Português, também se ensina Carnaval. Em 38 escolas municipais de ensino, 2.200 alunos dedicam meses do ano letivo para construção do desfile da Corações Unidos do Ciep. A agremiação mirim, que completa 26 anos, é celeiro de bambas e já desvendou grandes talentos, como o primeiro mestre-sala do Salgueiro, Sidclei. Neste ano, os pequenos vão levar para a Sapucaí uma homenagem a 16 mulheres que fizeram diferença no Rio, em comemoração ao aniversário de 450 anos da cidade.

Na fila para conquistar uma posição de artista no Carnaval, está Lucas Monteiro, de 12 anos. Morador de Brás de Pina, o integrante da comissão de frente da Corações sonha em ser bailarino do Theatro Municipal. “Se eu pudesse, ensaiava todos os dias. Quando estou de bobeira em casa, estou dançando”, contou o menino. Sua irmã, Lidia Catarina Monteiro, 14, também da comissão de frente, quer ser rainha de bateria. “Meu sonho é ser rainha de uma grande escola, como a Vila Isabel, que é minha paixão”, declarou a adolescente.

Componentes da escola Corações Unidos do Ciep%3A 2.200 alunos dedicam meses para criar desfileBruno de Lima / Agência O Dia

Do lado de fora da Avenida, a precursora de tanto talento acompanha de perto a evolução da agremiação mirim desde o primeiro ano na avenida. Pelo Sambódromo, a presidente da agremiação, a professora Marilene Monteiro, já viu passar grandes feras na sua escola. “O Sidclei (do Salgueiro) era um moleque quando desfilava conosco. Hoje ele está lá, me enchendo de orgulho no Grupo Especial”, afirmou Marilene. Assim como Sidclei, também cresceram na Corações, o Julinho, que hoje é primeiro mestre-sala da Unidos Tijuca, e Phelipe Lemos, da Imperatriz.

“Costumo dizer que o Sambódromo é minha casa, e a Corações, minha mãe. Foi lá que decidi ser mestre-sala e me emociono até hoje quando a vejo na Avenida”, contou Sidclei, que há seis anos viu sua história se repetir com seu filho, Yuri Vieira, que também foi mestre-sala da Unidos do Ciep.

O samba-enredo, a sinopse e o desenho das alegorias e fantasias são feitos pelos alunos. Para este ano, a escola levará três carros. O abre-alas será sobre os ícones da cidade, o segundo carro, uma homenagem à Bertha Lutz e o último trará as lembranças de Leila Diniz.

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