Timoneiros da Viola se veste de verde e rosa para homenagear Cartola

Em entrevista, Paulinho da Viola recorda momentos com o ídolo mangueirense, que será homenageado no desfile de seu bloco este ano

Por O Dia

'Eu tinha 21 anos%2C e foi uma honra para mim%2C porque eu já tocava e o admirava bastante'%2C disse Paulinho da Viola sobre CartolaAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Rio - Em uma célebre entrevista no ano de 1977, Cartola (1908-1980) disparou que “quem gosta de homenagem póstuma é estátua. Eu quero continuar vivo e brigando pela nossa música”. A vontade do cantor e compositor, porém, não será respeitada. No próximo domingo, Cartola será homenageado pelo Timoneiros da Viola, que desfilará pela primeira vez no Parque Madureira. Tudo bem, lá de cima o ícone mangueirense certamente vai entender: é uma celebração ao mestre com o carinho de um amigo de longa data, Paulinho da Viola, cofundador e anfitrião do bloco.

“Lembro bem de quando conheci o Cartola, foi em 1964 no saudoso Zicartola, restaurante na Rua da Carioca que ele montou com a mulher, Dona Zica”, recorda Paulinho da Viola, o olhar emocionado buscando em sua cabeça as imagens no passado. “Quem nos apresentou foi o (compositor e produtor) Hermínio Bello de Carvalho. Eu era bem jovem, tinha 21 anos, e foi uma honra para mim, porque eu já tocava e o admirava bastante. Na mesma noite conheci, de uma tacada só, o Nelson Cavaquinho, o Elton Medeiros e o Zé Keti. Lembro do Cartola muito discreto, gostava muito de ficar na dele. Foi no Zicartola também que eu recebi meu primeiro cachê. E também foi lá que eu ganhei do jornalista Sérgio Cabral e de Zé Keti o apelido Paulinho da Viola”.

Durante o papo nostálgico em casa, Paulinho se entusiasma e vai buscar nos seus guardados uma foto ampliada de um encontro que teve com o ídolo: “Que eu saiba, só existem quatro fotos da gente juntos. Essa aqui é uma delas, e foi tirada em 1968, em uma churrascaria na Tijuca. O Pixinguinha estava lá neste dia. Tenho guardado também, deve estar em algum lugar aqui de casa, um bilhetinho que o Cartola jogou embaixo da porta da minha casa, quando eu morava em Botafogo, dizendo que esteve lá. Foi uma frustração, porque a única vez que ele veio me visitar, eu não estava”. 

Paulinho e a clássica foto com CartolaAndré Luiz Mello / Agência O Dia


Se não foi daquela vez, o reencontro, ao menos musical, está marcado para o desfile do bloco, que estreia no Parque Madureira, depois de três anos desfilando na Estrada do Portela. “Paulinho e eu vínhamos conversando sobre o crescimento do público”, explica o jornalista e pesquisador Vagner Fernandes, presidente do Timoneiros da Viola. “Ele demonstrava uma preocupação com o conforto das pessoas. O Parque é mais amplo e nos dará certamente maior mobilidade e tranquilidade. A mudança foi por uma única causa: oferecer mais conforto a todos os participantes”.

Paulinho da Viola está superempolgado com o bloco, mas anuncia que sua carreira não está de lado. “Ano passado, comecei uma turnê pelos meus 50 anos de carreira. Este ano tenho já vários shows marcados. Algum desses vou escolher para ser gravado e se transformar no meu próximo CD, ou mesmo um DVD. No domingo de Carnaval, farei uma apresentação especial no Pátio de São Pedro, no Recife, mas volto correndo para o desfile da Portela! E farei ainda um show na Quinta da Boa Vista pelos 450 anos do Rio”, lista ele. “E tenho já prontas várias novas composições que pretendo gravar. Ou gravar músicas de outros compositores que gosto, tem muita coisa para ser gravada ainda, ou mesmo regravada. Mas, por enquanto, tem muito bloco para vir por aí, e muitos outros bambas para homenagear, depois do Cartola!”

Timoneiros da Viola 2015

AUTORES: RATINHO DO CAVACO E RONALDO VILAR

Com o Timoneiros da Viola/ O Parque Madureira vai ferver/
Com Cartola e Paulinho da Viola/ Dois menestréis que não podemos esquecer / As rosas vão falar/ Mestre Angenor de Oliveira/
Quem não conhece, esse é o Cartola/ Grande sambista da Estação Primeira/ Vem pro Parque, vem sambar (Vem cá, vem cá)/
Deixa a tristeza pra lá (Deixa, deixa)/ Com o Timoneiros da Viola, exaltando a Verde e Rosa/ Hoje eu vou me acabar

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