Madureira e Monobloco fecham a folia

Portelenses e imperianos desfilam juntos no Sambódromo; Pedro Luís arrasta 400 mil no Centro

Rio - Má notícia para quem ama Carnaval: a folia de 2017 terminou ontem, com um apoteótico desfile das coirmãs campeãs de Madureira no Sambódromo e com uma apresentação triunfal do Monobloco na Primeiro de Março, com 400 mil foliões. Boa notícia para essa gente: daqui a menos de um ano tem mais.

Pedro Luís e os batuqueiros do Monobloco arrastaram 400 mil foliões na Rua Primeiro de Março, ontem de manhã, no último grande bloco Fernado Maia/ Riotour

Foi tamanha a emoção da Portela em sua ‘volta olímpica’ que o presidente da escola passou mal e não viu a Águia passar. Luís Carlos Magalhães teve crise de pressão por volta da meia-noite de sábado e foi internado. Só recebeu alta ontem à tarde.

Pena: ele perdeu o coro de “a campeã voltou!”, entoado pelo animadíssimo Setor 1; a presença ilustre de imperianos, campeões da Série A; e a performance de um portelense fervoroso. Egresso de Nova York, o ex-prefeito Eduardo Paes reverenciou Tia Surica e sambou, pimpão, ao lado da rainha de bateria, Bianca Monteiro. “Voltei especialmente para isso. Este é o Carnaval mais lindo do mundo, Portela campeã... Então pra mim é uma alegria estar aqui. Sempre vou desfilar, sendo prefeito ou não”, disse.

Barbudo, Eduardo Paes reverencia Tia Surica e Bianca Monteiro AgNews

Paes também disse que não se importa com o fato de a Portela não ter sido campeã durante sua gestão. “Se tivesse ganho comigo como prefeito, iam dizer que eu tinha armado, então...”, riu. E foi diplomático ao comentar a ausência do sucessor, Marcelo Crivella, na Passarela. “Respeito a atitude do atual prefeito.”

Ivete Sangalo, enredo da Grande Rio, levou o público ao delírio mais uma vez. A passagem de Viviane Araújo, que completa 10 anos como soberana do Salgueiro, também causou furor. E, mesmo sem o tripé ‘Cristo-Oxalá’, ‘vetado’ pela Igreja, a Mangueira fez um belíssimo desfile.

Ivete repetiu a dobradinha: saiu na comissão de frente e no carro FAT PRESS/LIESA

Nas ruas, além do Monobloco, saíram o Bafafá e a Galinha do Meio-Dia, em Ipanema; o Boka de Espuma, em Botafogo, e os Herdeiros da Vila e o 7 Paus, na terra de Noel. E está encerrado o Reinado de Momo. Mas não será preciso esperar um ano inteiro. Dia 10 de fevereiro de 2018 será o Sábado de Carnaval. 

Bafo da Onça deixa de desfilar no Centro pela primeira vez em 60 anos

As notas tristes do Carnaval deste ano não se restringiram aos acidentes na Sapucaí. Fora do Sambódromo, o Bafo da Onça deixou de desfilar no Centro após 60 anos.
“A situação está difícil. Tivemos problemas com documentação junto à prefeitura e ficamos sem dinheiro, sem patrocínio”, lamentou Serginho Maria, filho de Tião Maria, fundador do Bafo.

Estudioso do Carnaval carioca, o historiador Luiz Antônio Simas é um apaixonado pelo Bafo da Onça. Ele conta que o nome da agremiação se deu graças ao mau hálito de Seu Tião, o primeiro a se fantasiar de onça nas ruas do Catumbi.
“Uma das grandes atrações do Carnaval era o encontro entre os foliões do Bafo e do Cacique de Ramos. O pau quebrava de forma inapelável, e o furdunço não tinha hora pra terminar. Mas todos faziam as pazes enchendo a moringa com a água que o passarinho não bebe”, conta.

Serginho diz que o Bafo está aberto para quem quiser ajudar a colocar o bloco na rua em 2018. “Toda ajuda é bem-vinda. O custo de colocar o Bafo na rua é de pelo menos 20 mil reais. A prefeitura, espero, deve entrar com cerca de 15 mil. O restante, a gente precisa arranjar com amigos e patrocinadores”, disse.

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