Paraíso do Tuiuti inova e apresentará samba encomendado no Carnaval de 2018

Escola de São Cristóvão abre mão da tradicional disputa por ganho técnico e corte de custos

Rio - Quadra lotada, torcidas uniformizadas em festa com balões e camisas estilizadas, diversos sambas entoados pela comunidade. Assim é o cenário de uma disputa de sambas enredos nas principais agremiações de carnaval do Rio de Janeiro. Mas não será assim na Paraíso do Tuiuti este ano.

A escola de São Cristóvão inovou no Grupo Especial e encomendou letra e música para o enredo "Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?", que abordará os 130 anos da Lei Áurea. A forma de escolha do samba é conhecida no Grupo A, onde a Renascer de Jacarepaguá encomenda seus samba-enredos há quatro anos.

Nino do Milênio será o intérprete de "Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?", enredo da Paraíso do Tuiuti Eduardo Hollanda/Divulgação

A Azul e Ouro chamou membros da ala dos compositores da escola para escreverem o samba, apresentado na quadra no dia 7 de julho. Os autores Moacyr Luz, Cláudio Russo, Dona Zezé, Aníbal e Jurandir são conhecidos da comunidade e tiveram seus sambas cantados no Sambódromo em anos anteriores.

O ganho técnico foi levado em consideração quando o presidente da escola, Renato Thor, reuniu os setores da agremiação para estudar a decisão. O diretor de carnaval, Leandro Azevedo, explica que uma disputa pode resultar, por vários critérios, em sambas não tão bons na avenida. "O samba encomendado atende a escola, os compositores acertaram a mão", admite.

Entusiasta da decisão, Azevedo também lembra da crise financeira que o país atravessa. Sem ter que abrir a quadra todo fim de semana durante dois ou três meses, a Paraíso do Tuiuti economiza uma verba considerável, unindo o útil ao agradável. "Já podemos trabalhar o samba junto com a comunidade. Ganhamos tempo e não temos muitos custos", argumenta.

Disputas devem ser revistas, diz compositor

Azevedo acha que a encomenda dos sambas pode virar tendência caso a iniciativa dê certo. "Se os jurados derem nota máxima da disputa, significa que foi uma medida acertada", afirma.

Um dos compositores escolhidos foi Cláudio Russo, que acredita ser maior a responsabilidade na mãos dos autores quando não há disputa. "Quando há disputa, a obrigação é da escola escolher o melhor. Quando nos delegam, sem disputa, nós temos que fazer o melhor", explica.

Russo se diz favorável ao modelo tradicional, mas reconhece que, em casos como o da Tuiuti, a encomenda é a melhor medida a ser feita. "Decisão pontual e peculiar a esse enredo e ao momento da escola. A Tuiuti precisava de um grande samba, por ser um enredo sobre abolição, sobre o negro. Foi uma boa escolha", acredita.

O compositor afirma que o sistema de disputas nas agremiações deve ser revisto. "Não sou contra as disputas, mas acho que devem ser repensadas. O modelo está se tornando ultrapassado. São caras e longa. Às vezes, as quadras ficam esvaziadas, já que com a violência, pouca gente quer sair à noite para assistir. É muito cansativo".

Confira o clipe oficial do samba enredo da Paraíso do Tuiuti para 2018

Reportagem do estagiário Caio Bellandi, sob supervisão de Marlos Mendes

Relacionadas

    Comentários

    Mais lidas

      Escolha do Editor

        Newsletter

        Receba gratuitamente o melhor conteúdo de O DIA no seu e-mail e mantenha-se muito bem informado

        • Anuncie também pelo DIAFONE(21) 2532-5000
        Anuncie