Espetáculo 'Frida Kahlo - A Deusa Tehuana' volta ao Rio

Rose Germano dá vida a pintora mexicana

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Rio - O espetáculo 'Frida Kahlo A Deusa Tehuana' volta a solos cariocas até 29 de setembro, de quinta a sábado, às 19h, no Teatro Eva Herz, no Centro. Com direção de Luiz Antonio Rocha, Rose Germano vive Frida na montagem que está em sua sétima temporada. Em cena, o texto escrito pela dupla desconstrói o mito da pintora mexicana para mostrar uma Frida Kahlo mais humana, sem estereótipos.

"Ela foi o maior desafio de minha carreira porque é uma personagem muito forte, complexa, que viveu intensamente. O grande destaque está na autenticidade da mulher à frente do nosso tempo. Ela é a desmedida das coisas, está fora dos padrões estabelecidos", esclarece Rose.

O espetáculo foi livremente inspirado no diário e na obra da artista, com fragmentos da sua vida e do seu pensamento, e mergulha em aspectos mais íntimos e menos explorados da sua personalidade.

O CORPO

Luiz Antonio Rocha, que na preparação chegou a ir ao México "encontrar a Frida que queria montar", conta que todo o processo partiu do corpo da pintora.

"Ficamos tentando descobrir como seria o corpo de alguém que tinha dores e tomava morfina para sentir alívio, e que também teve pólio. Era uma mulher que certamente tinha dificuldade em caminhar. Mas nas nossas pesquisas, vimos que as atrizes não costumam levar em conta esse aspecto na hora de caracterizá-la nos espetáculos", explica.

E Rose Germano completa: "Frida, ao 6 anos, teve poliomielite. Aos 18, sofreu um acidente que deixou marcas profundas e, ao longo da vida, fez mais de 32 cirurgias, mas nunca se abateu, começou a pintar".

Com 18 anos de trajetória, a atriz afirma que viver a pintora, que morreu prematuramente aos 47 anos, foi o maior desafio da sua carreira. "A Frida transformou a dor em arte: ela é inspiradora também por isso e por todo o seu histórico de vida e de luta".

POTÊNCIA FEMININA

Ao falar de suas inspirações para compor a pintora, a atriz salienta a importância das similaridades percebidas entre as culturas mexicana e nordestina.

"Especificamente a nordestina, em que estão as minhas raízes. Sou de Riacho do Meio, uma cidadezinha do interior da Paraíba. Foi aí que me inspirei, nesse povo guerreiro, nas histórias de mulheres cheias de vida e coragem. E o Luiz Antônio também atribui essa força ao povo mexicano", revela a atriz.

Depois de quatro anos na estrada, o que tem de Frida em Rose?

"A vontade de lutar por muitas questões que nos afligem. Ela é uma mulher inspiradora, que se engajava politicamente, muito ativa e transgressora pela maneira como se vestia e se portava. Por isso, ela é tão à frente de seu tempo e do nosso tempo também".

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