As peripécias de Ubirajara, goleiro-artilheiro do Flamengo nos anos 70

Ele fez gol, filme erótico, ganhou concurso de beleza e agora celebra o Dia dos Pais com filha que conheceu recentemente

Por O Dia

Rio - Goleiro-artilheiro do Flamengo nos anos 70, negro mais bonito do Brasil na Discoteca do Chacrinha, modelo, ator de filme erótico, escritor, advogado, conciliador do Juizado de Pequenas Causas... Com múltiplas facetas, Ubirajara Alcantara é a irreverência em pessoa. E, agora, o pai coruja de Simone, a filha perdida que conheceu recentemente e com quem vai celebrar neste domingo o Dia dos Pais pela primeira vez.

Ubirajara é a irreverência em pessoaUanderson Fernandes / Agência O Dia

“Foi um presente da vida. Ela me achou pelas redes sociais, pelo Facebook, 40 anos depois. Não sabia. Ela veio ao Brasil para me conhecer e agora sou eu quem vou a Nápoles passar uns dias com ela”, disse o ex-goleiro, feliz da vida, na véspera da ida para a Itália.

O orgulho com a descoberta da filha se transforma em irreverência quando Ubirajara é questionado sobre o número real de herdeiros.“Não sei não”, emenda, com um sorriso maroto, do alto dos seus bem vividos 67 anos e um estilo peculiar tanto na maneira de ser quanto na aparência — na noite em que recebeu o O DIA, na sede do Olaria, ele usava óculos escuros e se enrolava em um estiloso cachecol que lhe dava um ar de xeque árabe.

Ubirajara na época em que era goleiroArquivo

“Comprei na Arábia, quando trabalhei lá. Já os óculos são porque sinto frio nos olhos”, brinca o goleiro, conhecido por ser extravagante: “Era muito moleque, sacana e brincalhão. Nada me esquentava a cabeça. Até hoje não esquento. Isso não foi bom na minha carreira, porque exigiam do goleiro seriedade. Mas a alegria faz parte do esporte e sempre fui um cara feliz”.

Feliz e apaixonado até hoje pelo futebol. Tanto que Ubirajara pretende lançar, entre a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016, um livro sobre a história do velho esporte bretão. Experiências e conhecimentos acumulados na sua passagem por Flamengo, Botafogo, América, Avaí e Itabaiana, entre outros clubes do País.

“Faço uma análise de todas as Copas do Mundo, sobre a história do futebol. Já está escrito. Espero lançar no formato de pen drive, pois adoro transformar modelos”, revela.

Antes de se aventurar na literatura, Ubirajara foi conciliador no Juizado de Pequenas Causas, em Olaria, e advogado da vara de família e criminal por 34 anos, após se aposentar do futebol. Mas o ex-goleiro também se aventurou pelo caminho artístico. Após ganhar a eleição do concurso do ‘crioulo mais bonito do Brasil’, no Chacrinha, Ubirajara fez trabalhos de modelo e alguns filmes eróticos. Um dos mais conhecidos foi “Delícias do Sexo”, produzido por Carlos Imperial.

“Sou bonitão até hoje, mas nunca me preocupei com beleza. Sou meio doidão, só que tenho estilo. Já usei black power, sempre fui rústico. Não me considero vaidoso. Só uso perfumes normais. Creme, só o dental. O cheiro do corpo é mais gostoso”, provoca.

Dando mais uma prova do seu estilo muito peculiar, Ubirajara fez questão de apresentar a sua atual "Ferrari", no fim da entrevista. Um Fusca invocado e cheio de bossa, que chama atenção no subúrbio: “Já recusei boas ofertas. Não é uma beleza a minha Ferrari?”

Façanha no Guiness Book

Ubirajara no programa do Chacrinha%3A ele fez sucessoArquivo

No futebol, Ubirajara é lembrado por ter feito um gol histórico que entrou para o Guiness Book (livro dos recordes), em um jogo contra o Madureira, na Ilha do Governador, em 1970.

“Foi um gol de goleiro e não do vento”, diz, rebatendo as críticas de que a bola só entrou porque o jogo foi no Luso-Brasileiro, apelidado de estádio dos Ventos Uivantes.

“Chutei forte (da área do Fla) e direcionado. A bola quicou e enganou o goleiro. O Nei (atacante) ainda fez o corta-luz”, explicou o ex-jogador, que, perplexo com a façanha, não comemorou o gol.

“Fiquei parado na hora. Depois o Yustrich (técnico) me deixou concentrado uma semana e não fiz reportagens. Aí a imprensa passou a dizer que o gol foi do vento, mas não foi”.

Outro momento inesquecível foi a convivência com o russo Yashin, considerado o maior goleiro da história, em uma excursão dele ao Brasil, em 1965: “Eu era do aspirante. Não bati bola com ele, mas quando foi embora Yashin disse: “Vai ser o futuro goleiro do Brasil’. Nunca fui vaidoso e nunca copiei ninguém. Eu sabia o que era”.

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