O lado sambista de Paulo Chupeta

Técnico do Flamengo foi 'descoberto' em baile infantil

Por O Dia

Rio - A paixão pelo samba vem de família e até levou Paulo Chupeta, coordenador da base e técnico do time sub-22 do Flamengo, ao basquete. Ele foi "descoberto" por frequentar bailes infantis. O convite para jogar basquete mudou a vida dele. De lá para cá, uma carreira consolidada e vitoriosa, sobretudo como treinador - campeão brasileiro, do NBB, da Liga Sul-Americana e de duas edições da LDB com o Rubro-Negro.

Chupeta na Sapucaí%3A ele conhece bem a 'quadra' do Carnavalarquivo pessoal

"Eu conheci o Riachuelo, onde comecei a carreira, por intermédio do samba, nos bailes infantis. Eu frequantava o clube e me viram. Eu já tinha este tamanho aos 12, 13 anos e me chamaram para jogar basquete. Eu nem sabia o que era basquete. Eu comecei como goleiro no salão, agarrei no Sampaio Tênis Clube, joguei no Prado Júnior, fui campeão estadual, e fui para o Grajaú. Depois decidi ficar no basquete", conta Chupeta.

A ligação com o Carnaval sempre foi grande - a mãe foi porta-bandeira da escola Paraíso do Tuiuti. Chupeta logo se aventurou no mundo do samba. Ele virou compositor do bloco "Escovão do Riachuelo" e se orgulha de ter feito o samba de inauguração do Túnel Noel Rosa. Atualmente, organiza o próprio bloco e continua na ala dos compositores.

"Eu agora tenho um bloco, que estou tentando legalizar, que é o 'Guerreiros do Riachuelo', já que o Rio de Janeiro é uma cidade devota de São Jorge e eu também sou. Estamos no segundo ano. Então eu faço umas musiquinhas para ver se vai vingar para o Carnaval do ano que vem", declara.

Chupeta já fez da Sapucaí a sua quadra. Ele já foi artista no Carnaval: "Desfilei seis anos na comissão de frente da Viradouro, na época do Joãosinho Trinta. Tínhamos uma rainha muito linda, a Luma de Oliveira. Era uma responsabilidade muito grande. Isso eu também levei para o basquete. Esporte doutrina, impõe regras. Lá, na comissão de frente, tínhamos de estar ensaiados."

A essência da comissão de frente é parecida com o basquete, numa clara ligação entre o esporte e o Carnaval, explica o técnico do Flamengo.

"A comissão de frente é como você estivesse num treinamento de uma jogada, para fazer o movimento certo, parar na hora certa, saber quem sai na hora certa, quem vai aparecer no momento certo, como o pivô, que aparece embaixo da cesta. Tem essa ligação, é uma doutrina. Precisa estar focado e é uma competição. O basquete é a mesma coisa", analisa.

A 'alegria' do Carnaval

Com a experiência de quem desfilou e conhecimento do Carnaval, Chupeta já teve a missão de avaliar o desfile de Magé, há dois. Ele viu uma situação inusitada quando foi julgador do quesito mestre-sala e porta-bandeira.

"O mestre-sala e a porta-bandeira vêm, param em frente à cabine, fazem evolução, mostram a bandeira, tem o cortejo, o bailado. Vinha um casal evoluindo muito numa escola. Pensei: 'Este casal deve ser bom'. Só que ele passou direto por mim e foi se apresentar na cabine de samba-enredo. E tinha um cara apontando para mim. O casal me olhou, mandou um beijo e foi embora. Eles estavam um pouco 'alto'. Como é grupo de interior, fizeram festa para eles", diverte-se Chupeta, que pretende repetir a dose no futuro:

"Está no sangue. Gosto de valorizar a comissão de frente, que participei por muitos anos. Gosto de ver o desenvolvimento da escola, a harmonia de quem faz um grande Carnaval. Ano passado quase fui para São Paulo ser julgador, mas deu um problema. Este ano estava para ir para Santa Catarina, mas vai ter a fase da LDB e estou indo para Minas no sábado."

Chupeta está sempre na Sapucaí. Ele acompanha atentamente aos "treinos" das escolas nos ensaios técnicos na Avenida. O técnico do Flamengo aponta as favoritas ao título do desfile deste ano.

"Na minha opinião, está entre três escolas: a Mocidade, que vem forte com Paulo Barros e investimento muito grande do Rogério de Andrade, a Tijuca, que é sempre candidata e deu show no ensaio técnico mesmo com falhas no som - o canto segurou a escola; e a Portela, que vem num bom momento com Alexandre Louzada, um cara que já ganhou cinco títulos e a escola apostou nele de novo. Além disso, tem um samba que tem balanço e que dá para brincar. Eu aponto essas como favoritas ao título", analisa Chupeta, que não se furtou de escolher um desfile especial:

"Foi o da Beija-Flor, de Joãosinho Trinta: 'Ratos e urubus, larguem a minha fantasia. Eu desfilei nas alas dos mendigos naquele ano (foi em 1989). Foi fantástico, marcou muito. Foi uma virada de fase no Carnaval."

O histórico desfile da Beija-Flor%2C eleito por Chupeta como o melhor Arquivo O Dia

Desfile pela TV e confiança no Flamengo

Este ano, Chupeta terá de acompanhar o desfile pela TV. Ele estará em Belo Horizonte, comandando o Flamengo em etapa da Liga de Desenvolvimento de Base (LDB), campeonato sub-22. O dever o chama: "O samba é o segundo esporte", brinca. O técnico mostra confiança para a sequência de seis jogos, a partir de domingo.

"Estamos mais preparados. Espero sair invicto desta fase, que é muito importante para o Flamengo. Precisamos ganhar todos os jogos para tentar ficar em segundo ou terceiro e buscar uma classificação melhor para o playoff. Vamos buscar o terceiro título em quatro edições. A fase final não deverá ser na Gávea. A prioridade é da equipe que ficar em primeiro lugar. Se não quiser, vai para o segundo, o terceiro... então, quanto mais próximos do líder, teremos mais chance de pleitear a fase final novamente no Rio", afirma.

O Rubro-Negro está na sexta colocação da LDB, com 12 vitórias em 17 jogos. Chupeta faz um balanço do desempenho do time até agora.

Chupeta está confiante para etapa da LDBJoão Pires / LNB

"O Flamengo, nas duas primeiras fases, não foi completo. Chupeta e Felício não foram na primeira fase. São duas referências. Tivemos três derrotas para equipes paulistas (Pinheiros, Limeira e Mogi das Cruzes). Na segunda fase, perdemos para o Basquete Cearense, a base deles joga no adulto e tem mais rodagem. Na terceira, perdemos para Franca num dia em que estávamos muito cansados e fazia um calor infernal em Macaé. Os meninos, no adulto, são coadjuvantes. Quando vêm para a LDB, são protagonistas. Então, até encorpar como protagonista, leva um tempo e este tempo contra Franca não funcionou."

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