Esporte

Hooligans russos prometem 'festival da violência' na Copa de 2018

Documentário mostra torcedores treinando para brigar no Mundial

Rússia - Enquanto as seleções do mundo inteiro disputam um lugar na próxima edição da Copa do Mundo de 2018, na Rússia, os hooligans do país dizem que estão prontos para fazer "um festival da violência". Isso é que promete o grupo Orel Butchers, que teria sido responsável por muitos dos confrontos ocorridos durante a Eurocopa do ano passado, no documentário produzido pela rede britânica BBC chamado de Russia's Hooligan Army (Exército Hooligan da Rússia).

O "profissionalismo" dos hooligans russos é tão grande que existe até uma espécie de treinamento para confrontos Reprodução Twitter /@HooligansIdeol1

"Todos estão ansiosos com a Copa do Mundo. Para uns, será a festa do futebol. Para outros, um festival da violência", disse um dos membros do grupo no documentário exibido na noite desta quinta. "Nossos adversários naturalmente são os ingleses porque eles são os precursores do hooliganismo e naturalmente são sempre esperados", completou.

O "profissionalismo" dos hooligans russos é tão grande que existe até uma espécie de treinamento para confrontos. Os violentos torcedores são preparados para brigas e passam até por sessões de preparação física.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse não estar preocupado com eventuais problemas de violência durante o Mundial de 2018, apesar das ameaças. "Não estou preocupado com problemas em 2018, tenho total confiança nas autoridades da Rússia", disse o cartola durante entrevista coletiva em Doha.

Durante a disputa da Eurocopa, na França, o Comitê Disciplinar da Uefa ameaçou excluir as seleções de Rússia e Inglaterra da competição por conta das confusões criadas por seus torcedores. Mais de 300 pessoas foram detidas por desordem durante o torneio

RÚSSIA CRITICA DOCUMENTÁRIO

Após a exibição do documentário da BBC, o governo russo se manifestou nesta sexta-feira para criticar a produção do mesmo, ressaltando que a matéria veiculada pela rede britânica é uma "propaganda" dirigida para "desacreditar" a Rússia como organizador do Mundial.

O vice-primeiro-ministro Vitaly Mutko afirmou, em entrevista à agência russa Tass, que o "festival de violência" prometido pelos hooligans do seu país durante a Copa "não é nada mais do que ficção". A autoridade, que também é o presidente da União Russa de Futebol (RFU, na sigla em inglês), ainda destacou que vê o seu país como vítima de uma campanha de "difamação da mídia" após ter sido eleita sede do Mundial de 2018.

"Somos pessoas adultas e sabemos bem que cada grande país, seja ele a Inglaterra ou a Rússia, tem seus próprio problemas em várias esferas do dia a dia", afirmou Mutko, ressaltando que a violência praticada por torcedores é um problema global e que o comportamento de muitos deles pode ser "imprevisível" em qualquer lugar do mundo.

"O movimento dos hooligans do futebol hoje é um movimento jovem e uma subcultura frequentemente vulnerável à influência extremista", disse Mutko, para depois desqualificar o peso do documentário da BBC ao questionar: "Mas por que inventar uma fábula de medo em relação a isso?".

Para completar, o vice-primeiro-ministro russo chegou a ser irônico ao dizer que, "depois de assistir o documentário, alguém poderia ter a impressão de que a Rússia estariam vendo estrangeiros (que visitam o país) pela primeira vez". "Nosso país é um dos mais visitados do mundo, sem mencionar de que nós estamos no Top 10 em termos de milhões de turistas que nos visitam. A Rússia é também um dos países mais seguros do mundo e os diretores de cinema estão muito bem informados sobre isso", enfatizou ao alfinetar o documentário da BBC.

Mutko também lembrou que a Rússia abrigou com segurança os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, e ressaltou que na época também houve uma suposta campanha, na sua opinião, para desacreditar a preparação do país para ter o grande evento. Ele criticou o que considera ser uma blitz da mídia ocidental para continuar a "manchar" a Copa do Mundo, assim como apontou este último documentário da BBC como algo que entra "em uma estrada que não leva a lugar nenhum".

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