Nilson Dias: DNA de goleador

Ex-atacante é reverenciado até hoje pelos alvinegros, mesmo sem grandes conquistas

Por O Dia

Rio - Nilson Dias não precisou ganhar títulos de expressão para conquistar o coração da exigente torcida do Botafogo. Mesmo tendo jogado nos perdidos anos 70, quando o clube viveu um jejum de conquistas, o atacante entrou para a história como o 13º maior goleador alvinegro com 127 gols em 301 jogos. Uma vocação que ele tenta ensinar, há 15 anos, a jovens <MC0>da escolinha de futebol do Iate Clube Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, onde é professor.

Nilton Dias marcou época no BotafogoMárcio Mercante / Agência O Dia

“Gosto de trabalhar com crianças. Elas têm um carinho e um respeito muito grandes por mim. Mas também gostaria de trabalhar com futebol. Tive poucas chances. Trabalhei uma vez no Botafogo, na época do Bebeto (de Freitas, ex-presidente). Depois nunca mais fui lembrado. Mas daria um bom auxiliar-técnico”, diz, com modéstia.

Do passado alvinegro, Dias tem boas lembranças. Como fazer parte da equipe, que atingiu uma invencibilidade de 52 jogos, entre 77 e 78.

Nilton Dias é ídolo da torcida alvinegraCarlos Moraes / Agência O Dia

“Joguei 48 jogos dos 52 e depois fui vendido. Foi uma marca espetacular, mas infelizmente o time não deu liga. Tinha muita vaidade”, critica.

O drama da falta de títulos só não foi pior do que a grave lesão que ele sofreu, em 1975, quando quebrou o perônio e rompeu o ligamento do tornozelo, em uma jogada com o lateral corintiano Zé Maria.

“Ele deu um carrinho sem a menor necessidade. Na hora escutei o barulho.Isso me emociona até hoje. Depois, o Zé Maria foi lá em casa me pedir desculpa. Eu desculpei, mas fiquei quase um ano sem jogar e o meu futebol caiu pelo menos um 50%”, lamenta.Mas Nilson Dias deu a volta por cima e retornou ao futebol.

“Foi contra o Grêmio. O Anchieta me deu porrada enquanto o Zequinha, o outro zagueiro, pedia para ele ir devagar. Depois que fiz o gol, chorei. Mas nunca mais fui o mesmo”, admite.

Apesar dos percalços, Nilson Dias não reclama de nada. “Não tenho nada a lamentar, só a agradecer a Deus pela chance de ser jogador de futebol. Muitos querem e poucos conseguem”, finaliza.

De torcedor do Fla a algoz rubro-negro

Nilton Dias tinha estrela contra o FlamengoArquivo

Muitos botafoguenses não sabem, mas Nilson Dias era torcedor do Flamengo antes de virar ídolo em General Severiano e se transformar em algoz rubro-negro.

“Fui treinar no Flamengo, mas, na época, era meio franzininho, com pinta de estragadinho. Depois de dois bons treinos disseram que não podia ficar, pois era raquítico. Eu tinha 16 anos e fiquei frustrado. Depois disso, o Flamengo morreu”. Sorte do Botafogo, que apostou no menino:

“Eles me trataram bem. Ganhei até mais peso. Todos os jogos que enfrentava o Flamengo tinha uma motivação maior. Entrava para morder e sempre fazia gol. Na época em que fui vendido, tínhamos duas vitórias a mais que o Fla. Fui carrasco”.

Nilton Dias é treinador de uma escolinha de futebol do BotafogoMárcio Mercante / Agência O Dia

Camisa 10 se recusou a jogar de ponta na Seleção

Além do Botafogo, Nilson Dias jogou também no Internacional, Santos, São Cristóvão, Olaria e teve boas passagens pelo Deportivo Cali, Universidade Guadalajara, Acadêmica de Coimbra. Mas uma de suas maiores alegrias foi servir à seleção brasileira, onde<MC0> jogou 12 partidas e fez quatro gols. Um futuro que poderia ter muito mais sucesso se ele não tivesse se recusado a jogar de ponta direita, como teria pedido Claudio Coutinho, técnico da Copa de 78.

“Ele mandou o dr Lídio falar comigo que se eu jogasse de ponta tinha chance de ser convocado, mas achei que seria uma covardia com o Gil (ponta-direita), que era meu amigo”.

Apesar de ter ficado fora da Copa, Dias lembra com orgulho dos tempos da Amarelinha. “Só de ter sido convocado, em uma época em havia jogadores fantásticos, foi o máximo”.