Montagem do elenco será desafio no Fluminense

Afundado em dívidas e com a credibilidade em baixa no mercado, diretoria tricolor terá que ser muito hábil para fazer contratações em 2019

Por O Dia

Líderes do elenco, Gum e Júlio César não sabem se ficam no time tricolor -

Rio - Passado o sufoco da reta final do Brasileiro, o Fluminense se prepara para mais dificuldades pela frente. Agora para a montagem do elenco em 2019. Com uma grande debandada, o Tricolor vai precisar ir ao mercado sem dinheiro e, principalmente, sem credibilidade por conta da enorme dificuldade financeira ao longo do ano, o que faz com que até alguns nomes com contrato pretendam deixar o clube e que reforços não queiram acertar, como já aconteceu em janeiro.

O primeiro ponto a ser definido nesta semana será a escolha de um treinador, para depois tratar do elenco. Além dos 13 jogadores com contrato no fim, outros mesmo com vínculo desejam sair. Richard vai para o Corinthians e Ayrton Lucas para o Spartak, da Rússia, segundo o site Globoesporte.com. Jadson tem sondagens (do futebol turco), assim como Ibañez, e o Fluminense pode negociá-los para fazer caixa. Luciano e Cabezas são outros que já demonstraram vontade de buscar novos ares.

Dos nomes com vínculo no fim, poucos devem ficar ou, pelo menos, seguir com conversas por renovações. O goleiro Rodolfo é quem está mais encaminhado, dependendo de um acordo entre Oeste e Fluminense. A prioridade da diretoria são os líderes do grupo, Júlio César e Gum, cujas negociações estão travadas. O goleiro, muito valorizado e com sondagens de outros clubes, quer aumento salarial e dois anos de contrato, enquanto o zagueiro aceitou reduzir os vencimentos e também deseja acordo pelo mesmo período.

Entretanto, como seu mandato termina em 2019, o presidente Pedro Abad não deseja fazer contratos mais longos do que um ano. O que se torna um problema não apenas para as renovações como para o acerto com reforços. Ainda mais porque a tendência é que a diretoria não gaste dinheiro e busque jogadores por empréstimo ou sem contrato, como é o caso do atacante Caíque, que deixa o Guarani no fim do ano.

"Não houve um consenso em questão de tempo de contrato. Eu estava disposto a baixar meu salário em mais de 50%", explicou Gum.

 

NOVO TÉCNICO VAI TER QUE GERIR CRISES

O futuro técnico do Fluminense para 2019 vai precisar, além de montar um time competitivo, saber lidar com problemas internos. Se Abel Braga teve participação decisiva para segurar o elenco, Marcelo Oliveira, sem o mesmo perfil, desagradou o grupo por não participar mais ativamente nas cobranças à diretoria pela quitação das dívidas salariais.

Sem um nome para o comando, o Fluminense tenta pelo menos resolver a situação salarial. Na última semana, a diretoria quitou os salários atrasados. Para pagar novembro e os quatro meses de direitos de imagem, a solução virá da venda de Ayrton Lucas e Richard.

O Flu vai receber cerca de R$ 15 milhões por 50% dos direitos econômicos do lateral, mas R$ 5 milhões serão devolvidos ao empresário Carlos Leite, que emprestou o dinheiro para o pagamento dos salários na semana passada. Além disso, o clube deve ter 15% do valor penhorado para pagamento de impostos atrasados.

Sem patrocínio forte, torcida sofre nos Brasileiros

Sob o comando do presidente Pedro Abad e de seu antecessor Peter Siemsen, o Fluminense mudou de patamar. Da grandiosidade do clube centenário campeão brasileiro em 2010 e 2012 para a mediocridade que se viu nos últimos seis anos, o torcedor tricolor se acostumou a acompanhar o time do coração na parte de baixo na tabela.

Desde a conquista do título de 2012, o Fluminense disputou seis Brasileiros e apenas em 2014 fez uma campanha digna, terminando em sexto lugar. Essa também foi a única temporada em que o Tricolor teve aproveitamento superior a 50% nos jogos entre janeiro e dezembro: 55,56%.

Foi o último ano de parceria com a Unimed. Depois da saída da patrocinadora, as duas diretorias que passaram pelo clube não conseguiram manter o padrão de investimentos e contratações, além de sofreram com problemas financeiros, principalmente nos últimos dois anos.

SÓ UM TÍTULO: PRIMEIRA LIGA

Depois de 2012, o torcedor tricolor tem convivido com mais resultados negativos do que positivos e sofreu muito no Brasileiro, sempre na parte de baixo da classificação. E viu a luta contra o rebaixamento como uma constante. Em 2013, chegou a cair e foi salvo pela punição da Portuguesa no STJD, ainda com jogadores de peso e com o patrocínio da Unimed. Nesta tempoerada, livrou-se na última rodada, no sufoco, apesar de em momento algum ter entrado na zona da degola.

O Fluminense ainda ficou longos períodos sem vencer no Brasileiro (veja tabela), o que também contribuiu para as campanhas muito ruins. Sem falar no pior jejum de gols na história do clube alcançado recentemente, com oito jogos sem marcar.

Títulos? Apenas a Copa da Primeira Liga de 2016. Fora a conquista do torneio (com vitória sobre o Atlético-PR na decisão, em Juiz de Fora), os melhores resultados foram uma final de Carioca (em 2017, perdida para o Flamengo), uma semifinal de Copa do Brasil (em 2015, eliminado pelo Palmeiras) e uma semifinal de Copa Sul-Americana (em 2018, derrotado pelo Atlético-PR).

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