Mundo & Ciência

Para cada homem deprimido no mundo, há duas mulheres

Mais vítimas de ansiedade e depressão, elas contam com estratégias para driblar efeitos

Rio - Atingida por uma bala perdida quando voltava para casa anos atrás, a carioca Andréia Bezerra conseguiu superar a síndrome do pânico com a prática do biscuit. Hoje, atua como artesã e professora da técnica. “O artesanato é como o meu ar. Encontrei nele a minha terapia”, afirma. Descobrir (e praticar) uma forma de relaxamento, como o artesanato, pode ser uma importante válvula de escape para muitas mulheres. E ajudá-las a superar transtornos emocionais ou mentais. Afinal, elas já estão mais sujeitas a depressão, ansiedade e estresse que os homens.

Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) indicam que para cada homem com depressão no mundo há duas mulheres. Estima-se que os transtornos ansiosos atingem 30% das mulheres e 19% dos homens. Alguns distúrbios, como síndrome do pânico, fobias e estresse pós-traumático, são de duas a três vezes mais frequentes nelas do que neles.

“As circunstâncias da vida, como a sobrecarga de trabalho, a dependência econômica ou emocional, a violência doméstica e o cansaço são fatores de risco para desenvolver quadros de depressão, ansiedade e estresse”, afirma Fernanda Queiroz, psicóloga e diretora da Estar Saúde Integrada. Além do desgaste físico e emocional causado pela rotina atribulada, com dupla ou tripla jornada de trabalho, educação dos filhos e tarefas domésticas, há uma razão hormonal para esta prevalência.

Prática do artesanato, segundo estudos de especialista da Harvard, ajuda também no relaxamento Divulgação

“As mulheres são mais sensíveis aos efeitos dos hormônios, que também influenciam as emoções diretamente. Os sexuais, como o estrogênio e a progesterona, participam dos mecanismos de produção e liberação de diversos neurotransmissores, responsáveis pelo humor e pelo comportamento” explica Fernanda. Ainda segundo ela, no Brasil não há uma cultura de cuidado com a saúde mental de forma preventiva. “A saúde física da mulher é bem cuidada especialmente pela necessidade dos exames ginecológicos anuais. Porém, a saúde mental, que é tão importante quanto a física, acaba sendo negligenciada”. O motivo, diz ela, é que muitas mulheres afirmam não ter tempo para cuidar da própria saúde ou para o lazer, um importante fator de risco para que o estresse acabe se tornando uma depressão ou um transtorno de ansiedade.

DICAS DE VIDA SAUDÁVEL

SAÚDE NO PRATO
Estudo comprovou que consumir sempre junk food, rico em gordura trans aumenta em 48% o risco de depressão. Portanto, adote uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, peixes e alimentos frescos. Se ama chocolate, escolha o meio amargo ou amargo.

SONO
Uma boa qualidade de sono é fundamental para descansar o corpo e a mente. O ideal é dormir de 6 a 8 horas por noite. A insônia é um dos primeiros sinais de que há algo errado com a sua saúde mental.

MEXA-SE
A atividade física é essencial para o bem-estar, além de ajudar a manter o peso. Procure algo de que goste: caminhadas, natação, dança, yoga ou ciclismo.

ENCONTRE TEMPO
Você precisa estar bem para trabalhar, cuidar da família, sair com os amigos. Encontre tempo para fazer algo de que goste, como ir ao salão de beleza, dançar, ouvir música, ler, tomar um banho demorado. Se possível, reserve esse tempo todos os dias.

PEÇA AJUDA
Se não está conseguindo lidar com as tribulações do dia a dia, peça ajuda. Lembre-se que você é forte, mas não é uma heroína. Todos temos nossas dificuldades. Dividir as tarefas domésticas é importante, assim como a responsabilidade pela educação dos filhos e pela manutenção financeira da família.

Harvard: artesanato reduz estresse

O artesanato tem comprovados benefícios para a saúde, memória e autoestima, segundo o professor de Harvard, Herbert Benson, pioneiro nos estudos sobre estresse. A ação repetitiva dos trabalhos artesanais leva a um estado de relaxamento intenso, capaz de reduzir a frequência cardíaca, diminuir o estresse e auxiliar na superação de traumas e melhora da autoestima.

“O biscuit me devolveu ao mundo pois, mesmo quando estou com medo de sair de casa, se é para dar aulas ou aprender técnicas novas, surge em mim uma força que me enche e dá segurança para enfrentar meus medos”, diz Andreia. Ela estará na feira Rio Artes Manuais, que acontece de 15 a 19 deste mês, no Centro de Convenções SulAmérica. “Teremos oficinas gratuitas para o público aprimorar e descobrir novas técnicas de produção”, diz Roberto Santos, diretor do evento.

A psicoterapia também é indicada para ajudar no gerenciamento das emoções. “É uma excelente forma de cuidar da saúde mental. Não tenha vergonha nem medo de buscar ajuda. É preciso coragem para sair da zona de conforto e mudar o que é preciso”, diz Fernanda.

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