Por bianca.lobianco

Rio - Quando o assunto é hip hop, mais precisamente o estilo b-boy, São Gonçalo está com a bola cheia. A cidade é um celeiro de dançarinos que requebram o breakdance, realizando manobras corporais incríveis. Eles se dividem em crews, treinando juntos e organizando suas cyphers, como são chamadas as rodas de break.

Formicidae Crew, São Gonçalo Breakers, União SG Break e Style Monster Crew, são alguns grupos existentes na cidade. Muitos b-boys já participaram de festivais em Curitiba (PR), Cabo Frio e Rio das Ostras, na Região dos Lagos, e , Paraty, no sul do estado. Mas a maior dificuldade é encontrar um espaço para treinar.

Formicidae Crew%2C São Gonçalo Breakers%2C União SG Break e Style Monster Crew são alguns dos grupos locais Fábio Gonçalves / Agência ODIA

Charlie Felix, o Kaléo, de 30 anos, e Alex Silva, o Pluto, 33, estão entre os b-boys mais antigos na cidade. Eles conheceram o estilo no final da década de 1990, participando da primeira crew da cidade, e se identificaram de cara.

Eles são integrantes e organizadores da ONG CLAM — Consciência, Liberdade, Atitude e Movimento — que desde 2001 tem o objetivo de disseminar o hip hop.

“Eu já cheguei a organizar uma roda cultural mensal, mas todos os gastos saíam do meu bolso. Com um tempo eu não tinha mais grana para continuar”, lamenta Kaléo.

O jeito é usar terraços, Cieps, praças e até varandas de amigos. Sempre que possível, as crews realizam suas próprias rodas culturais — que agregam os outros elementos da cultura hip hop (Dj, MC e grafite) —, quando acontecem as batalhas b-boys.

Evento para 300 pessoas

Cerca de 300 pessoas participam da Roda Cultural que acontece toda quarta-feira, na Praça dos Ex-combatentes, às 19h30. O evento foi criado pelo MC Gordo e há mais de dois anos reúne b-boys, DJs e grafiteiros.

“As portas estão abertas. Queremos disseminar a arte de forma geral. O break é o elemento do hip hop que tem mais adeptos em São Gonçalo”, afirma Gordo.

Mas, segundo o dançarino Pluto, em eventos assim os b-boys acabam ficando em segundo plano. "A maioria das rodas é mais voltada para batalhas de Mc's. Os organizadores não se preocupam em tocar música para o break", conclui.

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