Por leandro.eiro

Nova Santa Rita (RS) - Da aposta ousada à realidade, o carro elétrico chegou a um ponto sem retorno. A maior fabricante mundial, que já entregou 100 mil carros elétricos no mundo, a aliança Renault-Nissan, celebra a primeira venda no Brasil.

O Renault ZOE%2C projeto elétrico original%2C mostrou o melhor rendimentoMarcellus Leitão / Agência O Dia


O feliz comprador é a Companhia Paulista de Força e Luz, que atua no interior do estado e adquiriu, por “coerência de propósitos” três Renault elétricos, sendo um Fluence, o sedã, que nas versões flex é fabricado na Argentina, o utilitário Kangoo Z.E. e o ZOE, um hatchback compacto muito eficiente. A CPFL apostou e pagou o preço alto dos carros, que chegam no Brasil com taxação integral, por perto de R$ 200 mil.

Nós tivemos a oportunidade de dirigir estes carros e ainda o Twizy, que sofre restrições no Brasil por ser considerado quadriciclo, não receber licenciamento e ser proibido de trafegar em ruas.

Silêncio a bordo

Na hora do asfalto deu para perceber as sutilezas de cada um. O Fluence, que partiu de um carro convencional, recebeu motor dianteiro e pack elétrico na traseira, o que gerou algum desequilíbrio na saída de curvas mais vorazes. Mesmo assim, o espaço, conforto e as acelerações silenciosamente vigorosas cativam.

O Fluence pode chegar aos 160 quilômetros de autonomia, em condições ótimas, ou menos, em engarrafamentos. Pode ser recarregado em tomada comum de 110 v por 9 horas ou em 4 horas numa tomada de 220 v. Com motor de 70 kw ou 95 cv e excelente torque chega aos 135 km/h, teve o comprimento aumentado em relação ao outro Fluence e perdeu espaço para a bagagem, por conta das baterias. São 317 litros, espaço de hatch e mais 160 quilos de peso.

O primeiro da fila%2C o Renault Twizy%2C ainda não é considerado carro no Brasil. Atrás%2C um Fluence elétrico Marcellus Leitão / Agência O Dia


Com motor de 60 cv o utilitário Kangoo Z.E. também pode ter bancos para cinco ocupantes. É prático para entregas e percorre até 130 km, sem trancos nem barulho: perfeito para os Correios.

A cereja do bolo é o ZOE, o hatch feito para ser um elétrico. O modelo apareceu em Genebra no ano passado e causou furor. Anda como os outros, em silêncio e aceleração constantes e faz curvas com equilíbrio. Com 88 cv chega aos 100 km/h em 13 s. Muito bom, até para ativar o controle de estabilidade nas curvas do Velopark, no Rio Grande do Sul, onde o testamos. O ZOE também tem boa autonomia, que pode chegar aos 150 km e a curiosa tomada de força fica na frente, como seu primo Nissan Leaf, o mais vendido do mundo na categoria.

O ‘hours concours’ nesse teste foi o Twizy. Jeitão de moto, com portas tesoura transparentes, painel simples e motor traseiro, é duro ao rodar, estreito e perfeito para as cidades. Tem boa estabilidade e pouco peso: são 473 kg e motor de 20 cv, que o leva a 80 km/h de máxima. O Twizy pode levar dois ocupantes — o de trás na ‘garupa’ — e parar de frente nas vagas. Recarregável em 3,30 h em tomada de 220 v, viabiliza o uso urbano, e aumenta o espaço das ruas. O que o inviabiliza são as nossas leis do século passado.

Renault Twizy%3A estreito e perfeito para as cidadesMarcellus Leitão / Agência O Dia


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