Por joyce.caetano

São Paulo - Adrian Newey é um gênio quando se trata de criar carros de Fórmula 1. Atualmente na Red Bull, equipe na qual está prestes a conquistar o quarto título mundial consecutivo de pilotos e construtores, o projetista trabalhava na Williams em 1994, ano do fatídico acidente de Ayrton Senna em Ímola. E admite que até hoje a morte do brasileiro o assombra.

Ayrton Senna durante a temporada 1991Reprodução Internet


“O que aconteceu naquele dia, o que causou o acidente, ainda me assombra até hoje”, afirmou Newey em entrevista à emissora britânica BBC. Para ele, “ninguém nunca saberá” se a batida foi causada por uma quebra na barra de direção do carro ou por um erro de Senna.

“A quebra da coluna de direção: foi a causa ou isso aconteceu com o acidente?”, questionou o projetista. “Não há dúvidas de que estava quebrada. Da mesma forma, todos os dados, todas as câmeras do circuito, a câmera do carro de Michael Schumacher que o estava seguindo, nada disso parece dar consistência a uma quebra da coluna de direção”, completou.

Newey comparou a batida de Senna na curva Tamburello com as que costumam acontecer em circuitos ovais nos Estados Unidos.

“A primeira coisa que aconteceu foi o carro sair de traseira, muito parecido com você verá nos ovais nos Estados Unidos. O carro perde a traseira, o piloto corrige e depois ele vai reto e bate no muro, o que não parece ser consistente com uma quebra na coluna de direção”, explicou o ex-projetista da Williams.

O profissional lamentou ainda que não ter conseguido dar a Senna um carro capaz de brigar por vitórias no início daquela temporada. A equipe tinha o melhor equipamento em 1992 e 1993, mas o mesmo não se repetiu no ano seguinte devido à proibição de alguns recursos eletrônicos, como controle de tração e suspensão ativa.

Apesar de ter anotado poles nas três corridas que disputou em 1994, o brasileiro abandonou todas elas. San Marino foi a terceira etapa do campeonato (Brasil e Europa, em Jerez, foram as outras).

"Havia uma aura sobre ele, algo difícil de descrever. Ele com certeza tinha presença. Acho que uma coisa que sempre vai me assombrar é que ele veio para a Williams porque tínhamos feitos carros bons nos últimos anos e ele queria estar no time que pensava ter construído o melhor carro. E, infelizmente, o carro de 1994 não era bom", falou Newey.

"Ayrton tinha talento puro e determinação. Ele tentava levar aquele carro adiante e fazer coisas que não era capaz. É uma pena, e tão injusto, que ele estivesse nessa posição. E, claro, no momento em que corrigimos o carro, ele não estava mais conosco", finalizou o projetista.

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