Por bianca.lobianco

São Paulo - A Justiça condenou a Prefeitura de São Paulo a depositar ainda nesta quarta-feira uma multa acumulada de R$ 4,9 milhões por atrasar a reforma da Feira da Madrugada, um dos maiores centros de comércio popular do Brasil. Até ser fechado, em maio, o terreno de 136 mil metros quadrados no bairro do Brás atraía 15 mil compradores diariamente em suas quase cinco mil lojas.

A decisão do juiz federal Victorio Giuzio Neto foi tomada em audiência na última segunda-feira, quando ele executou um despacho anterior, proferido no dia 4 de julho, que estipulava multa diária de R$ 100 mil se a Prefeitura não cumprisse a promessa de entregar a reforma da feira em 60 dias, prazo encerrado em 3 de setembro.

Prefeitura de SP é multada em quase R%24 5 milhões por atraso de obraReprodução Internet

"Determino ao município que promova o depósito judicial no prazo de 48 horas em favor deste Juízo e vinculado a estes autos no valor de R$ 4,9 milhões correspondentes a R$ 100 mil diários contados desde o dia 3 de setembro até a presente data", escreveu o juiz. A partir do dia 22, os depósitos judiciais de R$ 100 mil deverão ser diários, o que eleva a multa acumulada a R$ 5,1 milhões.

De volta às ruas

As ruas são o destino escolhido por 80% dos 4.500 comerciantes que ficaram sem emprego desde que a tradicional feira foi fechada, no dia 10 de maio, para reformas hidráulicas, elétricas e de alvenaria.

As obras, no entanto, só começaram um mês depois, gerando uma briga entre os comerciantes e a Prefeitura, que foi judicialmente obrigada a reformar e reabrir a feira no dia 3 de setembro, prazo não cumprido.

A última promessa era reabrir a feira no dia 15 de outubro, mas as obras estão longe de terminar. O clima entre comerciantes e a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras voltou a esquentar na manhã do dia 13 de outubro, quando tratores derrubaram cerca de 50 dos 100 boxes de alvenaria que já estavam construídos antes da reforma.

Assim que flagrou a derrubada, um grupo de vendedores recorreu à Justiça Federal, que no mesmo dia intimou o responsável pela obra a interromper a demolição sob pena de arcar com uma multa de R$ 600 mil. 

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