Por hugo.pernet

Brasília - Entre os suspeitos de participação no esquema criminoso de superfaturamento de contratos da Petrobras, 20 deles são das maiores empreiteiras do país e outros dois, subordinados ao doleiro Alberto Youssef, preso desde março. No esquema, teria ocorrido o pagamento de propina a parlamentares e partidos políticos, que tiveram a prisão preventiva ou temporária expedida, nesta sexta-feira, na sétima fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Até o momento, foram presas 18 pessoas, entre elas, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Foram cumpridos seis mandatos de condução coercitiva e os investigados não localizados tiveram os nomes incluídos no sistema de procurados da PF.

Os agentes apreenderam registros e livros contábeis, recibos, agendas, ordens de pagamento e documentos relacionamentos à manutenção e movimentação de contas no Brasil e no exterior. Foram apreendidos também HDs, laptops, agendas manuscritas e eletrônicas, pen drives e smartphones dos investigados.

Estão sob guarda da polícia arquivos eletrônicos com a contabilidade em meio digital das empreiteiras e documentos relacionados com a contratação das empresas de fachada investigadas, especialmente MO Consultoria, GDF Investimentos, RCI Software, Empreiteira Rigidez.

Procurada pelo DIA, a defesa do ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, por meio da assessoria de imprensa do engenheiro, informou que "a prisão de Renato Duque, realizada nesta manhã em sua casa, foi decretada em caráter temporário pelo período de cinco dias e ocorreu no âmbito de pedido de busca e apreensão para colheita de provas".

Além disso, também de acordo com a defesa do engenheiro, a prisão é injustificada e desproporcional. A colheita de provas já teria sido realizada e Duque se colocou à disposição de todos os órgãos envolvidos nas apurações sobre a Petrobras.

A nota enviado, os advogados consideraram próprio esclarecer que não existe ação penal ajuizada contra Duque e ele não é acusado de nenhum crime. 

“A prisão do Renato Duque é um constrangimento ilegal porque é injustificada e desnecessária. A regra é responder em liberdade”, afirmou Alexandre Lopes, advogado de Duque.

Veja a lista de pessoas contra as quais há mandados de prisão:

Prisão preventiva:

- Eduardo Hermelino Leite, diretor-vice-presidente da Camargo Corrêa S.A.;

- José Ricardo Nogueira Breghiroll, funcionário da Construtora OAS;

- Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da Área Internacional da Construtora OAS S.A;

- Sérgio Cunha Mendes, diretor-vice-presidente executivo da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A;

- Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia S.A.;

- Erton Medeiros Fonseca; diretor-presidente da Divisão de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia S.A..

Mandado de prisão temporária (5 dias):

- João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Corrêa S.A.;

- Mateus Coutinho de Sá Oliveira, funcionário da OAS;

- Alexandre Portel Barbosa, advogado da OAS;

- Ednaldo Alves da Silva, funcionário da UTC Participações S.A;

- Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico da Engevix Engenharia S.A.;

- Newton Prado Júnior, diretor técnico da Engevix Engenharia S.A.;

- Dalton dos Santos Avancini, diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações S.A.;

- Otto Garrido Sparenberg, diretor de Operações da IESA Óleo & Gás S.A.;

- Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA Óleo & Gás S.A.;

- Jayme Alves de Oliveira Filho, ligado a Alberto Youssef;

- Adarico Negromonte Filho, ligado a Alberto Youssef;

- José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS;

- Ricardo Ribeiro Pessoa, UTC Participações S.A.;

- Walmir Pinheiro Santana, UTC Participações S.A.;

- Carlos Alberto da Costa Silva, ligado a empreiteiras

- Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor-geral de Desenvolvimento Comercial da Vital Engenharia, Grupo Queiroz Galvão;

- Ildefonso Colares Filho, diretor-presidente da Construtora Queiroz Galvão S.A;

- Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras;

- Fernando Antônio Falcão Soares, citado nas investigações como agente do PMDB no esquema criminoso.


Com informações da Agência Brasil/ Reportagem: Ivan Richard

Você pode gostar