° min ° max
  • Assine
  • Agência O Dia
  • Anuncie
  • Classificados

  • Capa
  • Rio
  • Diversão
  • Esporte
  • Economia
  • Brasil
  • Mundo & Ciência
  • Blogs
  • Mais O Dia
DESTAQUES
  • O Dia 24h
  • O Dia no Coletivo
  • Obs. do Comércio
  • O Dia no Estado
  • O Dia Niterói
  • Mulheres de Ouro
  • Opinião
  • Rio 2016
  • » O Dia
  • » Notícia
  • » Brasil
  • » Ditador Médici guardou em casa provas de tortura
Tweet
07/12/2014 00:00:00

Ditador Médici guardou em casa provas de tortura

Comissão da Verdade do Rio encontra prontuários médicos de presos no arquivo do ex-presidente

Juliana Dal Piva

Rio - Durante décadas a cúpula do governo militar negou a prática de tortura contra presos políticos na ditadura. Não importavam as denúncias das famílias, as marcas ou sequelas das vítimas. Quase 30 anos após o fim do regime, surgem agora as primeiras provas documentais de que no auge da repressão política — 1970 — o próprio general e então presidente da República Emílio Garrastazu Médici sabia em detalhes sobre a violência dos quartéis e suas consequências físicas e psicológicas.

Médici e o caderno onde guardava os relatos das sequelas das torturas de presas políticas no Rio
Foto:  Divulgação

Médici guardou até a morte, em meio a 32 caixas de manuscritos, um caderno de capa de couro preta com o nome do ex-presidente timbrado em letras douradas na frente. Dentro, a revelação: três prontuários médicos de presas políticas atendidas no Hospital Central do Exército (HCE). São elas: Dalva Bonet,Francisca Abigail Paranhos, além dos documentos de Vera Sílvia Magalhães — conhecida por sua participação no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick.

O arquivo pessoal de Médici, doado pela família há 10 anos, integra o acervo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e foi disponibilizado para pesquisa da Comissão da Verdade do Rio, que localizou os prontuários. “Quanto mais temos acesso aos documentos, confirmamos que a cadeia de comando das torturas e desaparecimentos começava no Palácio do Planalto”, afirma Wadih Damous, presidente da CEV-Rio. Cópias dos documentos serão entregues às famílias em audiência pública na próxima terça-feira.

Vera Sílvia, ao deixar o país, foi carregada por Cid Benjamin
Foto:  Reprodução

O prontuário de Vera Sílvia detalha cada medicamento utilizado por ela durante os dois períodos de internação registrados. Presa em 6 de março de 1970, ela chegou pela primeira vez ao HCE transferida do Hospital Souza Aguiar no dia seguinte devido a um “traumatismo craniano encefálico por projétil de arma de fogo”. Tratada na unidade, ela foi liberada dias depois para interrogatório no DOI-Codi.

Em 18 de maio foi internada novamente, e a descrição do quadro dá a medida do sofrimento de Vera. “Paciente acentuadamente desnutrida, subfebril. O exame neurológico acusa sensível diminuição da força muscular nos membros inferiores...há acentuada hipertrofia muscular nos membros inferiores”, registra o prontuário. O diagnóstico, porém, foi de que ela estava com uma paralisia nas pernas devido a razões psicológicas.

O médico legista Levi Inima, que auxilia a pesquisa da CEV-Rio, disse que a avaliação é “falsa”. “As alterações em termos de hipotrofia muscular demonstram a tortura em pau de arara. Ela estava bastante desnutrida, o que mostra os maus-tratos”, explicou. Vera deixou o Brasil em junho de 1970, trocada pelo embaixador alemão. Ela retornou após a anistia e morreu devido a um câncer em 2007.

Choque elétrico provocou crises convulsivas

Ao saber que seu prontuário médico fazia parte do arquivo pessoal do presidente Médici, a tradutora Maria Dalva Bonet, 68 anos, olha para alto e respira fundo. “Vou precisar de um tempo para poder falar sobre isso. É inacreditável”, desabafa Dalva.

Militante do Partido Comunista Revolucionário Brasileiro (PCBR), ela diz que foi presa no fim de janeiro de 1970 junto com a amiga inseparável, Abigail. “Foram 72 horas de pancadaria. Eu estava com a pele toda descascada do choque e me jogaram no chão de cimento. Foi quando eu comecei a ter hemorragia. Os presos pressionaram e eles me levaram para o HCE”, conta Dalva.

Ela diz que ficou cinco meses sem andar devido à tortura no pau de arara. Além disso, os choques desenvolveram um quadro de epilepsia. Por isso, como o próprio prontuário encontrado registra, foram realizados exames neurológicos. “Eles queriam dizer que as convulsões que eu passei a ter eram preexistentes. Mas eu nunca tive nada”, diz ela. Dalva disse que sofreu com crises convulsivas durante 10 anos.

Segundo o diagnóstico feito no HCE, a paralisia de suas pernas também seria emocional — como a de Vera.“Não apresenta vontade de locomover-se; procura queixar-se de tudo e de todos; é impertinente e astuciosa. Costuma ser acometida por pesadelos”, descreve o documento.

Maria Dalva Bonet ficou cinco meses sem conseguir andar devido à tortura no pau de arara. Ela também desenvolveu epilepsia por 10 anos
Foto:  Severino Silva / Agência O Dia

O médico legista Levi Inima também chamou a atenção para a quantidade de tranquilizantes, ansiolíticos e sedativos como Mandrix e Kiatrium ministrados. “ É uma associação de vários medicamentos. Isso tudo faz parte de um cenário médico exatamente para suprimir a questão da tortura”, explica Inima.

'Não deseja recuperar-se'

A advogada Francisca Abigail Paranhos também teve a sua passagem pelo Hospital Central do Exército guardada por Médici. No relatório que segue com o prontuário ela é descrita como “indiciada em inquérito policial-militar pelos crimes praticados como membro do PCBR, alegou paralisação dos membros inferiores”.

Além disso, o diagnóstico diz que Abigail, como era conhecida, não ajudava na melhora de seu quadro de saúde. “Os exames revelaram que Abigail é portadora de depressão neurótica, que não deseja recuperar-se não colaborando para o sucesso do tratamento que lhe é ministrado”, finaliza o relatório.

Dalva diz que elas deixaram a prisão cerca de um ano e meio depois. Abigail morreu de câncer em 1994.

    Tweet
    Tags: Emílio Garrastazu Médici , Ditadura
    Notícias Relacionadas
      • + LIDAS
      • ÚLTIMAS
          A tecnologia que muda a internetRealtime

          vitrine

          ofertas

          Eletrônicos
          Câmeras e Celulares
          Informática
          Ofertas
          Móveis
          Eletrodomésticos
          busque um produto:
          ‹
          ›

          Editorial

            Rio
          • Rio sem Fronteiras
          • Conexão Leitor
          • O Dia 24 horas
          • O Dia na Baixada
          • O Dia no Estado
          • Aroeira
            Notícias
          • Brasil
          • Economia
          • Mundo & Ciência
          • Educação
          • Opinião
          • Automania
          • Imóveis
            Diversão
          • Celebridades
          • Televisão
          • O Dia na Folia
            Esporte
          • Botafogo
          • Flamengo
          • Fluminense
          • Vasco

          O Dia

          • Agência O Dia
          • O Dia Assinatura
          • Edição Digital
          • O Dia Classificados
          • Trabalhe Conosco
          • Fale Conosco
          • Expediente
          • Anuncie

          Mais Seções

          • Blogs
          • Instituto Ary Carvalho

          Serviços

          Previsão do Tempo
          Rio de Janeiro, RJ
          máx 29º mín 16º
          Edição Digital Edição Digital
          Envie a sua Notícia Envie a sua Notícia
          Acompanhe O Dia Facebook Twitter Instagram RSS
          • EJESA
          • Jornal Meia-Hora
          © Copyright - Empresa Jornalística Econômico S/A.