CPI da Petrobras: Renato Duque diz que delator é mentiroso

Em acareação, ex-diretor da estatal atacou executivo e negou propinas

Por O Dia

Brasília - Ex-diretor de Serviços da Petrobras e preso desde março deste ano por corrupção e lavagem de dinheiro, Renato Duque chamou de “mentiroso” um dos delatores da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de desvios em contratos da estatal. Em acareação realizada ontem pela CPI da Petrobras, que também contou com a presença do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, Duque disse que Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ex-executivo da Toyo Setal, era um “mentiroso contumaz” e afirmou que passar seis meses na prisão “não tem justificativa”.

Na acareação%2C Mendonça reforçou aos deputados da CPI que repassou propina ao PT e a Renato Duque%2C por meio de doações intermediadas pelo ex-tesoureiro João Vaccari NetoEfe

Na acareação, Mendonça reforçou aos deputados da CPI que repassou propina ao PT e a Renato Duque, por meio de doações intermediadas pelo ex-tesoureiro João Vaccari Neto. Considerado um dos principais delatores do esquema, o ex-executivo da Toyo Setal já havia dado o mesmo depoimento à Polícia Federal. Segundo ele, as empresas eram obrigadas a pagar propina a diretores por temer retaliações nos contratos com a estatal.

Ao ser questionado sobre o depoimento do delator, Renato Duque negou as acusações. “Conforme orientação do meu advogado, vou me manter em silêncio e só gostaria de deixar ressaltado que o senhor Augusto é um mentiroso. Ele mente na delação e ele sabe que está mentindo”, destacou Duque, olhando para Mendonça. “Não consegue provar nada porque ele não tem nada para provar, porque ele mente”, reafirmou.

Questionado sobre os ataques feitos pelo ex-diretor da Petrobras, Mendonça manteve-se sereno e disse que “confirmava” sua delação. “Eu confirmo tudo o que eu disse nos meus depoimentos. Não sou mentiroso nem ladrão, não vim aqui para entrar em provocações do senhor Renato Duque”, resumiu o ex-executivo.

Em meio ao clima tenso entre Duque e Mendonça, João Vaccari Neto, quando questionado, afirmou que não responderia às perguntas dos parlamentares. “Vou me manter em silêncio”, repetiu Vaccari.

À CPI, Duque lamentou o tempo que está preso e disse que “cadeia faz mal para alma”. “Como pai , marido e como avô, seis meses de prisão não tem justificativa, mas respeito a Justiça”, afirmou. Mais cedo, dois outros presos na Lava Jato foram à CPI mas não responderam às perguntas.

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