Rio - “Passa lá em casa para tomar um cafezinho”. Certamente você já ouviu ou disse isso para alguém. Nos restaurantes, depois das refeições, a bebida era uma cortesia. Com a chegada do café expresso isso mudou e muitos consumidores já não tomam mais o tradicional pretinho coado, mas o de cápsula, importado, feito em máquina especial.
Por isso tudo, a saborosa bebida, que é uma das preferências nacionais e era quase inofensiva ao bolso do brasileiro até bem pouco tempo, passou a ser um hábito de consumo caro e sofisticado.
O café expresso custa em média, de R$ 3 a R$ 5, uma xícara. Os restaurantes passaram a cobrar pela bebida, mesmo quando se pede o café comum o valor é mais alto, podendo chegar a até R$ 8 nas casas grã-finas da Zona Sul.
Para um produto cujo quilo custa entre R$ 7 e R$ 8 nos supermercados, a diferença entre o café comum e o expresso é muito relevante. Ainda assim, como em Paris, as cafeterias só se multiplicam pela cidade e o hábito a cada dia cresce mais.
Participei outro dia no programa de TV Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, de uma reportagem sobre o cafezinho e apurei que, se você tomar diariamente um expresso, ao custo de R$ 3,60 (valor praticado nas cafeterias do Centro do Rio), vai gastar R$ 1.314 por ano.
Essa grana equivale a praticamente a dois salários mínimos, ou a mais de sete cestas básicas para uma família padrão brasileira. Beber um cafezinho especial na rua é muito bom, mas passou a ser uma excentricidade para poucos bolsos de brasileiros.