Rio - O resultado da inflação oficial no mês de julho, medido pelo IBGE, por meio do IPCA, mostrou um recuo. O índice sinaliza que os preços em geral estão subindo menos e que os alimentos praticamente ficaram com valores estabilizados. As manifestações populares que forçaram a redução das tarifas de transporte, item que pesa bastante na fórmula do IPCA, também contribuíram para a queda.
Embora o indicador ainda esteja alto (6,27% em 12 meses) para o que era esperado (4,5% no ano), a notícia é boa para o trabalhador, que pelo menos vai sentir um pouco de alívio na hora de ir ao supermercado. Analisando-se os dados do IBGE com mais profundidade, percebe-se que ainda há muita pressão na inflação, proveniente dos preços dos serviços.
Essa tendência é registrada desde que a renda do brasileiro melhorou e o povão começou a gastar mais para ter um pouco de conforto e comodidade. A inflação acumulada nos serviços em 12 meses (8,48%) está um terço maior do que o custo de vida geral (6,27%). Por isso, a pesquisa oficial indicou que o maior aumento foi o do cabeleireiro, seguido por alimentação fora de casa, transporte escolar, médico, estacionamento e empregada doméstica.
O cidadão se esforça para melhorar um pouquinho de vida e, na hora que ele acha que conseguiu, descobre que os preços aumentaram e que o fim não é bem sim. É triste, mas aos poucos ele percebe que a vaidade e um pouco de mordomia custam caro.
Professor de Finanças do Ibmec