Por joyce.caetano

São Paulo - As lan houses buscam diversas maneiras para reter os clientes perdidos com a popularização dos notebooks, smartphones e planos de internet. Além de (muitas) promoções, as lojas de acesso à rede oferecem o videogame Xbox, decoração nerd e até pornografia

Funcionário da Voyager com uniforme utilizado pelos personagens do filme Jornada nas EstrelasiG / Marília Almeida

Na lan house Voyager, instalada em uma galeria em pleno centro de São Paulo, o cliente é recebido por funcionários com uniforme do filme "Jornada nas Estrelas" (Star Trek).

O ambiente ainda é complementado por uma coleção com centenas de bonecos do filme, além de super heróis diversos, e também posters do filme. Na caixa de som, música pop e telões nas paredes.

No momento da visita da reportagem do iG , os cerca de 15 computadores localizados no andar superior estão vazios, enquanto duas das quatro estações com o videogame XBox e tela plana estão ocupadas.

Um dos clientes é o segurança Jourdan Santos Silva, de 29 anos. "O ambiente é o diferencial. E meu computador é ruim. Além disso, divido a TV em casa. Aqui, fico sossegado", conta.

Com um notebook na mala, o vendedor Maurício Shimabuco, de 42 anos, veste terno e gravata e passa o tempo no videogame da lan house, entre uma visita e outra a clientes. "Gosto daqui porque os produtos são originais e é um ambiente limpo, diferente de muitos lugares por aí". Shimabuco, aliás, é fã do filme.

O cliente nem lembra a última vez que acessou a internet em uma lan house. "Acho que foi para baixar arquivos de um pen drive".

Escondidinha

Em outra galeria no centro da capital paulista, é difícil encontrar uma lan house. Ao subir uma escada, a reportagem encontra estações de computadores amarelados e um ambiente tomado por um público masculino, de 30 a 40 anos. O proprietário, Emerson Biffe, de 41 anos, logo declara. Ali, é possível acessar o que o cliente quiser, sem restrições. "O pessoal pode ficar à vontade para ver pornografia".

Mesmo que o cliente tenha computador em casa, Emerson cita duas motivações para as pessoas irem até a lan house para acessar vídeos e fotos de nudez artística, ou mais "despretensiosas". "Muitas vezes a pessoa é casada, e tem medo de infectar o computador com vírus".

Sobra para a lan house, que tem de formatar os computadores diariamente para livrá-los de programas duvidosos. "Um dia um deu problema e danificou a rede toda. Fiquei dez dias para consertar". Graças ao serviço liberado aos apreciadores de pornografia, Emerson recebe cerca de 150 clientes por dia.

Promoções "toda hora"

"Promoção todos os dias. Qualquer hora do dia". "Pague 1 hora e ganhe meia hora". "Promoção ganhe o dobro". Esses são alguns dos cartazes encontrados em lan houses atualmente, tudo para aumentar o tempo dos usuários na navegação, muitas vezes relegada a imprimir documentos e resolver coisas rápidas.

Na Live, localizada na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, o cliente paga R$ 5 e ganha mais R$ 5 em tempo de acesso à rede, paga R$ 10 e recebe R$ 10, e assim sucessivamente.

Na Discovery Net, no Cangaíba, zona leste da cidade, o estabelecimento calcula a economia em cada oferta. É possível comprar, a qualquer hora e dia, 3 horas por R$ 5, uma economia de 33,4%. Caso o cliente compre 4 horas por R$ 6, ela é ainda maior: 40%.

Reportagem de Marília Almeida

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