Rio - Calor, Carnaval e cerveja: a combinação perfeita está com ingrediente novo. O consumidor da chamada nova classe média agora pede cerveja de qualidade e a encontra no supermercado perto de casa. E melhor, a preço mais baixo. Marcas premium como Stella Artois já caíram no gosto popular. A elas se somará a mexicana Corona no segundo semestre do ano.
Marco Quintarelli, consultor de varejo do Grupo AZO, diz que o aumento no consumo de bebidas de categoria premium tem ligação com os jovens da classe C. E é no momento da diversão, como o Carnaval, que são experimentados. A partir daí, diz ele, são apresentados a toda a família. Diretor comercial da premium “artesanal” Amazon Beer, Cesar Chacon também percebe maior procura de consumidores da classe C. Já a rede de supermercados Supreprix passou a apostar nas marcas especiais desde que percebeu o aumento da procura em suas lojas. Agora, oferece 170 rótulos diferentes.
CORONA GELADA
Classificando a estreia ainda sem data da Corona como uma “adição importante” na plataforma de marcas globais, o vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores da Ambev, Nelson Jamel, afirma que vê uma clara tendência de expansão de consumo para o segmento premium.
“O crescimento e a diversificação das marcas de cerveja são um reflexo de uma bem-vinda sofisticação do paladar do consumidor carioca”, avalia. Opinião é partilhada por André Lanziotti, dono da loja Dream Beer, na Cadeg. Segundo ele, ao trazer para o Brasil a belga Stella Artois, a Ambev acertou em cheio na estratégia de popularizar a marca premium. “A Stella tem muito espaço no mercado brasileiro. Até ambulantes vendem nas ruas. Você vê até no isopor. Há uma mudança de comportamento de consumidores e a Stella faz parte desse processo”, disse.
Dona das marcas Antarctica, Brahma e Skol, a Ambev lançou a campanha Verão sem Aumento para estimular o consumo. E está dando certo. A estudante de administração Keith Soares, 28 anos, moradora do Santo Cristo, e a modelista Adriana Lessa, 30 anos, aproveitam a campanha de preços mais baixos para degustar as marcas premiuns. As amigas dizem conhecer a Budweiser e a Stella Artois, mas preferem a Original. “Gosto de todas elas, mas prefiro a Original, ela cabe no meu paladar e no meu bolso”, afirma Adrian. Sobre a Corona, diz que vai experimentar.
Brahma mistura duas paixões brasileiras
Hoje, dia de um dos maiores espetáculos da Terra, o desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial no Sambódromo, no Rio de Janeiro, uma das vedetes do local não está desfilando, mas chama igual atenção: é o camarote da Brahma.
A vermelhinha antecipa a Copa do Mundo e traz a atmosfera do mundial para o metro quadrado mais disputado da Sapucaí, apostando na união do Carnaval com o futebol, duas paixões nacionais.
“O Carnaval é uma grande plataforma da marca, assim como o futebol e, ambos, são sinônimos de alegria. Resolvemos homenagear o futebol nesse ano tão importante para o Brasil e juntar as histórias do maior artilheiro de todas as copas, do jogador que mais participou de finais de Copa do Mundo e do maior ganhador de Copas do Mundo, é um privilégio para nós”, afirma Bruno Cosentino, diretor de marketing da Brahma.
ANTARCTICA
Os foliões cariocas terão diversas opções para comemorar o Carnaval de rua. Com marketing baseado na cultura brasileira, a Antarctica oferece infraestrutura e entretenimento no circuito de blocos de rua, como forma de melhorar os atrativos do Carnaval. E continua em parceria com os melhores blocos, incluindo os das zonas Norte e Oeste. A marca também distribuiu aos parceiros ambulantes novos aparelhos de venda, já com os preços expostos.
Mercado em expansão
O mercado de cervejas premium vem se expandindo em ritmo acelerado nos últimos anos. Dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) mostram que o segmento premium aumentou de 2% para 5% a participação no consumo total de cervejas no Brasil. E o espaço para crescimento ainda é grande quando comparado a mercados desenvolvidos, como Alemanha e Estados Unidos, onde as vendas do produto representam até 20% do volume total.
Segundo dados do Sindicerv, o mercado nacional de cervejas premium é um dos mais promissores, já que o Brasil está entre os três países que mais consomem cerveja no mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Atualmente, o mercado movimenta cerca de R$ 300 milhões por ano, o que corresponde a 5% do segmento total de cervejas.
De acordo com a Ambev, entre os fatores que contribuem para o crescimento deste mercado no Brasil estão o aumento da renda da população, maior oferta de produtos, a ampliação do conhecimento cervejeiro e o interesse por conhecer novos rótulos. A cervejaria ressalta que a ampliação do portfólio de cervejas premium é uma de suas grandes apostas.
A estratégia de vendas inclui a importação de rótulos como a belga Leffe, a Argentina Quilmes e a uruguaia Norteña.