Rio - A escalada da inflação, combinada com a alta dos juros e o aumento do desemprego, vem minando a confiança das famílias, que, para se proteger, têm cortado diretamente no consumo. Reflexo desse comportamento aparece na retração das vendas no varejo que, pelo quarto mês seguido, tiveram desempenho negativo, chegando a um recuo de 0,9% em maio, frente a abril — o pior mês de maio, nesse tipo de comparação, desde 2001, quando ficara em igual nível. Ante a maio de 2014, o cenário é ainda mais difícil. As vendas caíram quase 5% no varejo restrito e 10,4% no ampliado, ao se considerar a comercialização de automóveis e materiais de construção.
A análise anual revela que a crise abala todo o varejo, sendo mais intensa entre os setores diretamente dependentes do crédito, como os bens de consumo duráveis. Em maio, o comércio de veículos e motos, partes e peças recuou 22,2%, na comparação com maio do ano passado. Também com forte retração estão as vendas de móveis, com queda de 20%, e eletrodomésticos, que encolheram 17,9% — ambos no mesmo tipo de comparação.
Assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Vitor França destaca que os juros do crédito para aquisição de veículos passaram de 23% ao ano em maio do ano passado, para 24,8% neste ano. O leasing, modalidade mais forte para crédito de veículo, que tinha juros de 15,4% ao ano em maio de 2014, subiu para 19,1% em maio deste ano.
“As taxas têm subido de forma generalizada, o que piora ainda mais essa situação das atividades mais dependentes de crédito”, afirma França. “Mas, perto de outras modalidades de crédito, o aumento dos juros para aquisição de veículos ainda foi tímida”, referindo-se aos juros do cartão de crédito.