Manifestação no Palácio Guanabara tem tumulto entre PMs e manifestantes

Mais de mil pessoas se concentraram na Rua Pinheiro Machado. Policiais jogaram bombas dentro de loja com crianças

Por O Dia

Rio - Terminou em confusão entre ativistas e policiais militares do Batalhão de Choque (BPChq) o protesto que reuniu mais de mil pessoas no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, na noite desta segunda-feira. O tumulto teve início após dois helicópteros deixarem o local, quando manifestantes se posicionaram em frente as grades de proteção. Os PMs atiraram balas de borracha em direção a dois ativistas que balançaram as grades, supostamente tentando derrubá-las.

Fotojornalista é ferido durante protesto na Zona Sul do RioUanderson Fernandes / Agência O Dia

Alguns deles reagiram imediatamente com coquetéis molotov, o que motivou a reação da PM, que atirou a esmo com bombas de efeito moral. Carros do Choque também entraram pela Pinheiro Machado e perseguiram os ativistas, que já estavam dispersados. Um manifestante foi atingido e, quando estava caído, levou choque de outro PM que passava na via. Algumas pessoas tentaram ajudá-lo, mas ele acabou sendo levado pelos policiais.

Segundo a PM, alguns presentes tentaram depredar a vidraça das Lojas Americanas. Manifestantes que entraram dentro da loja de departamentos, na Rua das Laranjeiras, foram encurralados pelos homens do Choque, que jogaram bombas de gás lacrimogênio no local, onde crianças e senhoras estavam.

Um fotógrafo da Francepress foi atingido no rosto e atendido por médicos e voluntários. Os PMs continuaram atirando com balas de borracha e bombas de gás nas vias do entorno. Um outro manifestante acabou atingido.

O farmacêutico Rafael Caruso foi ferido com tiro de pistola 9mm na panturrilha esquerda. Ele foi levado pro Hospital Universitário Gafréé e Guinlé, na Tijuca e, posteriormente, para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. A PM negou a informação e afirma que a bala que atingiu Rafael era de borracha.

De acordo com a Polícia Militar, um soldado do BPChq foi atingido por um coquetel molotov nas proximidades do Palácio Guanabara, por volta das 20h. A PM reagiu com jatos d'água e bombas de efeito moral. Cinco pessoas foram detidas. Um repórter da Midia Ninja por desacato, um manifestante preso com 20 bombas caseiras, outros dois com coquetéis molotov e outro acusado de atirar pedras contra policiais. Os detidos foram levados para a 9ª DP (Catete). O policial ferido ficou queimado no peito e foi socorrido para o hospital da corporação, no Estácio.

O MetrôRio informou que o acesso Catete da Estação Largo do Machado foi fechado. Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estão no local.

Protesto durante visita de Papa

O protesto contra a Igreja Católica e o governador Sérgio Cabral, que recebeu o Papa Francisco e a presidente Dilma Rousseff na sede do Governo Estadual. Uma barricada de grades foi montada a 200 metros do local e impede que os ativistas se aproximem do Palácio. Policiais militares do Batalhão de Choque (BPChq) estão de prontidão atrás da barreira.

No local, estão membros de partidos políticos, sindicalistas, feminisistas e o grupo Black Bloc. Os ativistas gritaram palavras de ordem contra Cabral e a Igreja Católica, além de queimar um boneco representando o governador. As luzes da Pinheiro Machado estão sendo apagadas e reacendidas em um curto espaço de tempo.

Os manifestantes bloqueram os dois sentidos da via. Dois carros do Choque que entrariam no Palácio Guanabara foram impedidos de circular.

Papa pede para ingressar pelo 'portal do imenso coração dos brasileiros'

Em um discurso delicado no início da noite desta segunda-feira, o Papa Francisco agradeceu às autoridades brasileiras pela recepção no País. O líder religioso falou sobre a importância do diálogo com o público jovem do mundo inteiro e pediu licença para "ingressar pelo portal do seu imenso coração (dos brasileiros)".

"Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração. Por isso, permitam-me que a esta hora eu possa bater delicadamente a esta porta. Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado Jesus Cristo. Venho em seu nome para alimentar a chama de amor fraterno e desejo que chegue a todos a minha saudação. A paz de Cristo esteja com vocês. A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo. E por isso nos impõe grandes desafios. Cristo bota fé nos jovens", declarou.

Um grupo de 650 convidados e autoridades aguardava a chegada do Papa Francisco no fim desta tarde. O Papa adentrou o Jardim do Palácio Guanabara após chegar a Laranjeiras de helicóptero. A aeronave pousou no campo do Fluminense, ao lado da sede do poder executivo estadual.

Papa Francisco e Dilma durante solenidade no Palácio GuabanaraAlexandre Brum / Agência O Dia

Atrás do palanque preparado para o Sumo Pontífice, há uma arquibancada onde funcionários do Palácio Guanabara podem acompanhar por um telão toda a solenidade. No palco, duas cadeiras vermelhas estão posicionadas, para a presidenta Dilma Rousseff e para o Papa. Após a execução dos hinos do Vaticano e do Brasil, Dilma pronunciou um discurso com forte tom político, relembrando a urgência da justiça social entre os protestos realizados atualmente por todo o país.

Na frente dos convidados, uma área reservada foi reservada para a comitiva do Santo Padre, além de representantes de arquidioceses. Entre os membros da imprensa credenciada, há voluntários que trabalham em função da Jornada há um ano. Durante a chegada do Pontífice ao Rio, este grupo vibrou muito e cantou junto as músicas entoadas pelo coral.

Ao chegar para cerimônia de recepção, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou que a visita é repleta de simbolismo. Ao ser questionado sobre os custos da festa, ele afirmou que não considera abusivo.

“Custou R$ 800 mil, não é isso? Não é alto. Estamos recebendo um chefe de Estado. É aquele que goza da maior audiência em termos planetários. Então, o aparato de segurança e o cerimonial devem ser condizentes com a estatura da pessoa que está sendo recebida”, declarou.

Protesto no Largo do MachadoUanderson Fernandes / Agência O Dia

O Papa circulou com o papamóvel pela cidade acompanhado por uma multidão, antes de seguir em um veículo fechado para 3º Gmar. Na Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, há uma grade de proteção na extensão de toda a via. Fiéis e curiosos podem ficar apenas atrás dessa grade enquanto o papa Francisco participará da cerimônia fechada.

Sobre o trajeto do líder religioso, o secretário Municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, informou que a Prefeitura não sabia que o Papa passaria pela Avenida Presidente Vargas. "Não entendemos por que colocaram o Papa naquele trajeto. Não houve comunicação à Prefeitura. Foi uma decisão da Polícia Federal e não sabíamos sequer se o papa iria de helicóptero ou de carro", afirmou Osório.

Beijo em frente a fiéis

Duas feministas sem blusa se beijaram em frente a fiéis que estavam nas escadarias da Igreja Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado, Zona Sul do Rio, na noite desta segunda-feira. Em resposta, os peregrinos rezaram e falaram palavras de fé, fazendo uma barricada no local.

Após o ato, as duas gritaram: "Eu beijo homem, eu beijo mulher, eu beijo quem eu quiser" e gritaram palavras de ordem contra a Igreja Católica.

Feministas se beijaram em frente a fiéisPaloma Savedra / Agência O Dia

Um rapaz identificado como Angelo, evangélico, informou estar no local por ter amigos católicos. "É um absurdo. Eles não têm direito de invadir a igreja. Esse pessoal quer agredir os católicos. Eles têm o direito constitucional de protestar, mas isso não", afirmou.

Mais cedo, Um grupo de 10 mulheres encenou um ato a favor do Estado laico (sem interferência religiosa) e pediu pela tolerância e liberdade religiosa. No fim, as feministas exibiram os seios e foram vaiadas pelos peregrinos que aguardavam para embarcar nas vans em direção ao Cristo e, em reposta, cantaram: "Ei, ei ei, Jesus é o nosso rei".

Uma das feministas falou sobre o ato. "Nós queremos o direito ao Estado laico. Queremos poder abortar. Somos um país de mães solteiras e estamos representando a liberdade religiosa", disse a atriz Taisa Machado.

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