Por juliana.stefanelli

Cairo (Egito) - O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Araby, mostrou-se nesta segunda-feira favorável a uma intervenção na Síria com aval da ONU e descartou que existam divisões entre os países árabes em relação à última resolução sobre o conflito sírio. "O que pedimos é que a intervenção seja com aval das Nações Unidas", assegurou Araby em entrevista coletiva.

O secretário também destacou que a resolução emitida no domingo após a cúpula de ministros das Relações Exteriores dos países da Liga Árabe só contou com a rejeição do Líbano. Os chefes da diplomacia dos países árabes não fizeram ontem alusão à intervenção militar reivindicada pelos Estados Unidos, apesar de pedirem à ONU e à comunidade internacional que assumam suas responsabilidades para "tomar as medidas dissuasórias necessárias" contra os autores do suposto ataque químico do dia 21 de agosto perto de Damasco.

"Qualquer ato para enfrentar ou castigar o regime sírio deve ocorrer no marco dos acordos da ONU, sobretudo porque os tratados de Genebra e das Nações Unidas criminalizam o uso de armas químicas nos conflitos armados", disse Araby. Em alusão à possibilidade de que os Estados Unidos ataquem a Síria, o secretário-geral afirmou que "a ONU dá legitimidade para qualquer ato e, se alguém utilizar a força militar fora da legitimidade, fará de maneira unilateral".

Araby qualificou as reações ao conflito sírio como próprias de "um novo tipo de Guerra Fria em nível internacional". O secretário-geral frisou que sua organização sempre insistiu na importância de uma solução política para a Síria, mas considerou que agora a comunidade internacional deve resolver a questão do uso de armas químicas.

A oposição síria denunciou em 21 de agosto a morte de mais de mil pessoas em um suposto ataque químico do regime na periferia de Damasco, apesar do governo ter negado essas acusações e culpado os rebeldes pela ação. Na resolução de ontem, os países árabes "responsabilizam totalmente o regime sírio por este crime horrível e pede que todos os envolvidos sejam julgados perante tribunais internacionais como criminosos de guerra".

Araby explicou que o regime do presidente sírio, Bashar al Assad, tem a responsabilidade sobre o uso de armas químicas em seu território, mas descartou que a Liga Árabe tenha acusado diretamente Damasco de ter cometido esse ataque.

A cúpula da Liga Árabe no Cairo, adiantada dois dias para dar uma resposta à intenção dos Estados Unidos de atacar a Síria, revelou ontem o apoio da Arábia Saudita a uma intervenção estrangeira e a rejeição de potências regionais como o Egito a uma ação dessas características.

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