Por bferreira

Rio - A democracia partidária no Brasil em muitas ocasiões se assemelha a uma barulhenta feira livre: os ‘vendedores’ que apregoam mercadorias não têm escrúpulos ao mudar de ‘negócio’ ou ao fazer e desfazer ‘associações’, tudo para agradar ao freguês — seja lá quem ele for. Nos últimos dias, esse mercado de rua, que já passa de 30 ‘feirantes’, ganhou mais duas ‘barracas’. Anteontem rejeitou-se a agregação da 33ª.

O episódio inconclusivo da Rede de Marina Silva é repleto de constrangimentos. Diante do indeferimento do TSE para criar o partido, a ex-senadora, dona de um respeitável dote eleitoral, manteve-se numa incômoda retração, prometendo para hoje decisão sobre o futuro político. Ela foi convidada por meia dúzia de legendas. Não se sabe se aceitará o cortejo ou se permanecerá no limbo eleitoral até que sua sigla seja efetivamente avalizada.

Muitos se perguntam como a Rede de Marina, com mais de 20 milhões de votos em 2010, não conseguiu meio milhão de assinaturas — feito que o Pros e o Solidariedade alcançaram sem alarde. De volta à alegoria da feira livre, confundem-se ideais do bom comerciante com a mesquinharia dos mercadores. No caso dos partidos neófitos, os limites entre plataformas e interesses estão nublados. No que se refere a Marina, soa como um balcão aberto a trocas de interesses — e seu discurso empolado, cheio de ‘ecometáforas’, mais confunde do que esclarece.

E segue a feira, com o emaranhado de siglas e o vaivém de políticos, em que ambições parecem gritar mais do que a livre troca de ideias que tão bem faria à República.

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