Rio - Os frequentes atos com depredação no Rio têm sofrido críticas de todos os lados. Afinal, ninguém é a favor da violência. Mas o bom senso nos sugere analisar os fatos de vários ângulos, e um deles é quanto à origem de tudo isso. Os blacks blocs são efeito, e não causa. No histórico do Brasil, é possível identificar blacks blocs antigos, que até hoje vestem colarinho branco e agridem a sociedade sem esconder o rosto.
A agressividade desses jovens demonstra uma fúria incomum. No entanto, todos os prejuízos que surgem com o quebra-quebra que promovem não chegam nem próximo dos rombos aos cofres públicos causados pelas fraudes e esquemas que desviam o dinheiro público por décadas. Exemplos que vêm de cima e que violentam a nação inteira, cujo saldo final não é só prejuízo financeiro, mas perdas de vidas.
Não se trata de defender o Black Bloc. Mas de refletir a origem dessa revolta. Para alguns, esses meninos são delinquentes, para outros, idealistas. Mas o que são de fato talvez não seja o mais relevante, mas sim qual o sentimento que verdadeiramente os move.
O grito das ruas disse que gigante acordou, mas poucos refletiram sob qual motivação. Só quem pode acalmar esse gigante é o poder público, entregando ao povo o que, constitucionalmente, é o seu dever. Aplicar Lei de Organização Criminosa para esses casos é uma incoerência, pois o Código Penal já prevê punições ao chamado crime de dano.
Para frear os blacks blocs o exemplo deveria vir de cima, mas enquanto absolvermos deputados presidiários e darmos chances a mensaleiros, entre tantas outras imoralidades escancaradas, a revolta só tende a crescer, surgindo cada vez mais novos blacks blocs.
Advogado criminalista