Por tamyres.matos
Rio - Um menino com transtorno do espectro autista aprende numa escola regular. Anteriormente, fora uma criança não verbal, com momentos de autoagressão e com pouquíssima interação social. Alguns diziam que seu quadro era severo e que jamais poderia estudar num “colégio normal”. Mas seus pais não viam assim, nem seus professores. “Educação escolar, terapêutica e alimentar”: foi o que disseram e fizeram. O quadro severo passou a fazer parte do passado. Hoje, sua interação em sala é tão natural que faz esquecer o transtorno.
Fatos como esse têm revertido expectativas a respeito de pessoas com necessidades especiais. Isso ocorre com muita frequência quando pais e educadores buscam informações, pesquisam, vão à luta e, acima de tudo, mantêm viva a certeza de que, para além das condições limítrofes impostas pelas necessidades especiais de uma pessoa, está a sua condição humana de aprendente.
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Um filho com necessidades especiais representa muito para a família. Representa cuidados, amor, educação e dedicação. Representa, ainda, grandes desafios, mas com grandes possibilidades de superação. Vê-se que, quanto mais a família é engajada nesse propósito, as possibilidades aparecem. Os avanços em distintos campos científicos têm trazido grandes contribuições para a comunicação, a aprendizagem escolar e a socialização.
Deficiências sensoriais, motoras e intelectuais têm sido sobrepujadas com o auxílio de tecnologia assistiva, trazendo maior qualidade de vida. É a superação de barreiras antes consideradas intransponíveis. São conquistas alcançadas nos últimos anos decorrentes do esforço de pais, pesquisadores e educadores. Crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais apresentam profícuas habilidades em muitas áreas quando são estimulados adequadamente, destacando o caráter pluralista da inteligência humana.
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A pergunta é: como fazer isso? Ou, em muitos casos, como começar a fazer isso? Algumas respostas poderão surgir, mas, certamente, acreditar que possuímos atributos que nos tornam diferentes uns dos outros — mas igualmente humanos — e que somos capazes de aprender, independentemente de nossas limitações, será um bom começo.
Eugênio Cunha é autor do livro ‘Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade’