André Coelho: Um debate negligenciado

Com a proximidade das eleições presidenciais, os analistas se esforçam para imaginar quais serão as propostas dos candidatos em relação a uma variedade de temas, principalmente aqueles relacionados a economia, saúde, educação e violência, dentre outros

Por O Dia

Rio - Com a proximidade das eleições presidenciais, os analistas se esforçam para imaginar quais serão as propostas dos candidatos em relação a uma variedade de temas, principalmente aqueles relacionados a economia, saúde, educação e violência, dentre outros. No entanto, um tópico muito importante parece historicamente esquecido ou relegado a um segundo plano tanto pelos analistas como pelos candidatos: a opinião de cada presidenciável sobre a condução da política externa brasileira (PEB).

Portanto, a pergunta é: em um mundo cada vez mais globalizado, onde o país busca aumentar sua projeção internacionalmente, será que podemos prescindir desse debate? Uma das possíveis hipóteses sobre a ausência do tema no cenário eleitoral teria a ver com a tradição de se pensar a PEB como política de Estado e não política de governo, o que relegaria principalmente à burocracia do Itamaraty e não ao presidente a formulação das linhas mestras da nossa política externa.

Entretanto, desde o governo Fernando Henrique Cardoso e principalmente depois de Lula, o protagonismo da chamada ‘diplomacia presidencial’ mostrou que a discussão da PEB passou a ser uma prerrogativa necessária aos presidentes. Paralelamente, presenciamos o aumento do clamor da sociedade civil por uma política externa mais democrática e por isso objeto de debate nacional, conseguintemente decidida com o conjunto dos cidadãos.

Voltando ao debate das eleições, até agora pouco se sabe sobre a opinião dos presidenciáveis sobre o tema. A presidenta Dilma Rousseff, pré-candidata à reeleição pelo PT, é duramente criticada pelos analistas sobre a falta de clareza dos eixos de sua política externa, que parece ter sido deixada em segundo plano em relação a seu antecessor. Por outro lado, Aécio Neves, candidato pelo PSDB, procura demonstrar ser a antítese da política externa conduzida pelo PT nos últimos anos. Neves critica a primazia de nossa atual política de integração com os países em desenvolvimento e com a América do Sul, chegando mesmo a propor o fim do Mercosul, em detrimento de aliados históricos como Europa e os Estados Unidos. Já Eduardo Campos, pré-candidato pelo PSB, ainda não mostrou claramente qual será sua posição sobre o tema, visto que até o momento não emitiu qualquer declaração relevante sobre o assunto. Aguardaremos as cenas dos próximos capítulos.

André Coelho é cientista político e professor da Unirio

Últimas de _legado_Opinião