Aristóteles Drummond: José Luiz Magalhães Lins

Tenho procurado fazer lembrar brasileiros notáveis que não podem nem devem ser esquecidos

Por O Dia

Rio - Tenho procurado fazer lembrar brasileiros notáveis que não podem nem devem ser esquecidos. Quanto aos homens públicos, é fácil lembrar pelas palavras e obras que deixaram, assim como os escritores, pintores e músicos. Mas existe uma lacuna no que toca aos empresários, empreendedores, que aportaram progresso, avanços no papel da livre empresa no sentido de bem servir à sociedade. No mundo moderno, o empreendedor é fator decisivo para a evolução das sociedades em todos os sentidos.

O destino me proporcionou a oportunidade de, muito jovem, trabalhar diretamente com um desses notáveis de nosso tempo, testemunhar importante mudança no comportamento de segmento importante e poderoso como o dos bancos. Trata-se de José Luiz Magalhães Lins. Ele assumiu o antigo Banco Nacional muito jovem, como sobrinho do controlador, transformando o banco não apenas num dos cinco maiores do Brasil, mas, principalmente, ousando na direção de facilitar o crédito pessoal e apoiar a cultura. O chamado Cinema Novo dos anos 1960 só foi possível pela sua ajuda, como podem atestar nossos cineastas seniores, como Luiz Carlos Barreto, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues e muitos outros. José Luiz foi o primeiro a financiar obras de arte nas galerias de referência do Rio e ainda o amigo e orientador dos nossos bi e tricampeões do futebol, quando começaram a ganhar dinheiro e não sabiam como investir o que acumulavam.

Esse homem à frente de seu tempo, que colocou os gerentes de agências fora de salas fechadas, ao lado do balcão, instituiu o cheque especial para pessoas físicas. A grandeza com que acreditava mais no poder das ideias, na inovação, do que nas simples garantias imobiliárias o fez responsável por centenas de empreendimentos exitosos na região do banco que lhe foi confiada. E assim se tornou líder.

O mecenato nas artes se tornou habitual, e até garantido por incentivo fiscal no governo Collor, tendo como secretário de cultura Sérgio Rouanet, que deu nome à lei de origem nele — Chateaubriand ficou focado no Masp —, sendo hoje conhecidas as atuações de institutos como o Moreira Salles e o Itaú Cultural, no setor privado, e de Furnas e Light, no estatal. Ele começou tudo isso, apenas acreditando e apostando.
Depois dessa carreira brilhante, ainda prestou serviço público como conselheiro do Tribunal de Contas do Rio, onde atuou até se aposentar, para só então poder gozar do convívio familiar, mas sendo ainda um dos mais atentos e bem informados homens do Rio de Janeiro.

Os jovens precisam conhecer esses e outros exemplos de gente que trabalha não pensando no fin do mês e, sim, em legar uma obra e uma orientação voltada para o progresso de todos. Voltarei ao tema!

Aristóteles Drummond é jornalista

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