Por raphael.perucci

Rio - Hoje é dia de decisão da CPI dos Ônibus. Uma reunião do presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), com os demais vereadores vai definir os rumos da comissão. Nos bastidores, uma das saídas cogitadas para “acalmar os ânimos dos manifestantes” é anular a CPI com argumento de risco à segurança do patrimônio da Casa e dos parlamentares. A pressão popular pede a saída de Chiquinho Brazão (PMDB) da presidência dos trabalhos de investigação, mas ele já afirmou que não renuncia.

“Espero que os movimentos sociais entendam que podemos dar um passo importante na qualidade do transporte coletivo. Não podemos perder essa oportunidade, nem dar brechas para anular o trabalho do Legislativo”, limitou-se a dizer Brazão.

Muitos foram até a Câmara ontem entregar comida e prestar solidariedade aos manifestantes que estão acampados na Casa desde quinta-feiraMaíra Coelho / Agência O Dia

Até o final da noite, o principal interessado na discussão sobre o futuro da comissão, o vereador Eliomar Coelho (Psol), não havia sido convidado para a reunião com os parlamentares. Foi ele quem propôs a CPI para apurar o sistema de ônibus. A manobra para não deixá-lo assumir a presidência provocou a ocupação da Câmara por estudantes.

Fato é que a CPI já começou com falhas. Uma delas é permitir que fossem escolhidos apenas vereadores da base governista como membros. A nomeação deles se deu por proporcionalidade de representação. O PSDB chegou a se articular para fazer um bloco com DEM e o PR e, desta maneira, garantir um representante na comissão. “Disseram que não podia, porque já estavam pegando assinaturas”, lamentou Teresa Bergher (PSDB).

Simpatizantes levam comida e palavras de apoio a manifestantes

Neste domingo, Dia dos Pais, mesmo com frio, simpatizantes ao movimento de ocupação da Câmara foram ao local demonstrar apoio. O bancário Júlio César Vieira dos Santos, 58 anos, se atrasou para o almoço em família, mas fez questão de levar comida para aqueles a quem já considera como filhos. “Me sinto um pouco pai de toda essa geração que está aqui. Também militei muito na minha juventude e agora estou dando apoio da forma que posso”, afirmou.

O escritor Odylanor Havlis também se solidarizou aos manifestantes. Seu filho mora na Suíça há três anos e ele garante que prefere passar o Dia dos Pais sem vê-lo até que os políticos mudem de postura.

“Quero que o país melhore para que eu possa desejar que ele volte para cá. Enquanto isso não acontece, é melhor que ele fique longe do Brasil”, desabafou o homem de 52 anos. A pequena Joana Rodrigues, 10 anos, foi levar comida para o irmão e disse estar orgulhosa: “Ele vai entrar para a história”.


Colaborou: Raphael Bittencourt

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