Primeira audiência da CPI dos Ônibus é realizada na Câmara Municipal

Eliomar Coelho (Psol) não participou do encontro. Em sinal de protesto, manifestantes ficaram amordaçados e de costas para vereadores. 'A CPI é legítima', disse Brazão

Por O Dia

Rio - A primeira audiência da CPI dos Ônibus na Câmara de Vereadores, no Centro do Rio, foi realizada na manhã desta quinta-feira e durou 45 minutos. A sessão começou por volta de 10h10 e terminou às 10h55. Onze manifestantes que ocupam a Câmara entraram na Sala do Cerimonial com a boca amordaçada, em sinal de protesto.

Eles ficaram de costas para a mesa onde aconteceu o encontro. A reunião definiu o calendário da CPI, que vai realizar audiências às quintas-feiras no plenário da Casa. Cinco sessões já foram agendadas.

Manifestantes fazem protesto durante audiência da CPIAngélica Fernandes / Agência O Dia

O parlamentar Eliomar Coelho (Psol), autor do pedido de criação da CPI, disse aos presentes que não iria participar da reunião e deixou a sala. "A comissão é legítima e o Eliomar deveria estar aqui. Vamos dar prosseguimento nos trabalhos normalmente", disse Chiquinho Brazão (PMDB), presidente da CPI. No fim da reunião, o vereador agradeceu a presença dos manifestantes e foi prontamente vaiado.

Por conta dos protestos realizados na parte externa da Câmara, a Rua Alcindo Guanabara foi fechada por policiais militares. A interdição impediu a circulação até de pessoas que trabalham na região. De acordo com Brazão, a condição de segurança é muito grave, mas o pedido de ocupação da PM não partiu dele e sim de Jorge Felippe (PMDB), presidente da Casa.

Mesmo amordaçados%2C manifestantes vaiaram presidente da CPI%2C vereador Chiquinho BrazãoAngélica Fernandes / Agência O Dia

Cerca de 60 manifestantes, alguns mascarados, tentaram enfrentar os militares, que fecharam as entradas laterais da Câmara. A Avenida Rio Branco está interditada, na altura da Cinelândia, devido a manifestação. O desvio é feito pela Avenida Almirante Barroso.

Na reunião desta quinta, um relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM), com mais de 7 mil folhas, foi distribuído aos cinco membros da comissão. O documento, que detalha toda investigação do órgão sobre a licitação dos ônibus em 2010, será disponibilizado na íntegra a partir desta sexta no site da Câmara.

Vereadores podem recorrer à Justiça

A Justiça poderá ser acionada para impedir o andamento da CPI dos Ônibus. Oito vereadores da oposição pretendem recorrer aos tribunais pedindo a anulação dos trabalhos, caso o presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), não reavalie a comissão — formada por quatro vereadores da base governista que não assinaram o pedido de abertura da CPI. 

Relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM)%2C com mais de 7 mil folhas%2C foi entregue aos membros da CPIAngélica Fernandes / Agência O Dia

“Parece um cachorro atrás do rabo. É sempre a mesma coisa e eu já disse que não há o que fazer. Não posso anular uma reunião (a de sexta-feira) em que a ata foi assinada pelos cinco integrantes reconhecendo a legalidade da Comissão. Isso é desrespeitar a lei e o regimento”, explicou Jorge Felippe.

No início da noite, um grupo de 30 manifestantes bloqueou os portões da Casa e houve tumulto na saída de vereadores. Jorge Felippe só conseguiu deixar o Palácio Pedro Ernesto com a proteção de 300 policiais que estavam do lado de fora. Seu carro saiu por volta das 19h30 sob uma chuva de ovos. Mais cedo, outro vereador, Luiz Carlos Ramos (PSDC), foi atingido por pedras. Uma senhora que passava na rua também foi alvejada.

Os onze manifestantes que ocupam as dependências da Câmara desde sexta-feira se reuniram na tarde desta quarta com o presidente da Casa. Eles questionaram a legalidade da comissão e pediram melhores condições para permanência lá dentro. Uma lista de solicitações, como a possibilidade de tomar banho nas dependências do Palácio, ainda será encaminhada à presidência.

Os manifestantes que estão dentro da Casa querem convocar a bancada do PMDB para um diálogo. “Já que o presidente não preside e não tem poder algum, queremos falar com o partido para mudar o regimento”, conclui um dos manifestantes.


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