Rio - A região do Centro amanheceu com sinais de destruição na manhã desta terça-feira após o protesto realizado na noite desta segunda. Apenas na Avenida Rio Branco, 23 agências bancárias foram depredadas nos atos de vandalismo. Caixas eletrônicos foram depredados e vidros e portas quebradas. Na manhã desta terça, garis tentam remover as pichações na Câmara Municipal e funcionários de bancos, lojas e até bancas de jornal contabilizam os prejuízos.
Quem chegava ao trabalho nesta manhã se mostrava chocado com o rastro de destruição deixado por vândalos que participaram do protesto. O administrador de empresas João Fausto, de 40 anos, foi até uma agência do Banco do Brasil na Avenida Treze de Maio, onde apenas um, dos 10 caixas eletrônicos, funcionava.
"As pessoas têm direito de se manifestar, mas não podem quebrar o patrimônio privado. Fiquei chocado hoje (terça) de manha quando cheguei no Centro e vi toda essa depredação", disse.
Em algumas agências era possível ler mensagens deixadas pelos vândalos como "CV poder do povo" e "o banco quebra o povo". A agência empresarial do Sebrae, Cora Duarte, de 24 anos, fotografava os estragos. "Não concordo com esse tipo de manifestação. Temos o direito de reivindicar, mas não dessa forma", afirmou.
Depredação prejudica volta para casa
Uma loja de operadora de celular que fica no térreo do prédio sede do Consulado de Angola foi destruída e furtada. Durante o protesto, um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.
A depredação prejudicou centenas de pessoas que queriam voltar para casa. "Quero ir para a Ilha do Governador e não consigo", contou a promotora de eventos Viviane Mendes Ribeiro, de 24 anos.
"Estamos há duas horas aguardando e não tem ônibus. O que vamos fazer?", questionavam as amigas Stephanie Geisa, 26, e Claudia Regina dos Santos, 41, funcionárias de um supermercado na Zona Sul, que aguardavam condução na Central do Brasil.
Depois da confusão, 15 pessoas foram levadas pela PM para a 5ª DP (Mem de Sá), prestaram depoimentos e foram liberadas. Quem também foi parar na delegacia foi o guarda municipal César Vitório, onde registrou queixa de agressão. "Vieram para cima de nós, entramos na viatura, mas quebraram os vidro e me feriram na cabeça", contou o agente que foi atendido por socorristas voluntários.
No cenário de batalha campal que virou a Cinelândia, no entanto, pelo menos uma pessoa tinha o que comemorar. Com a carroça lotada de ferro e outros materiais recicláveis, Luiz Afonso Leal, 56, acompanha o noticiário para conseguir lucro no fim dos tumultos.
"Fico em minha casa na Praça da Cruz Vermelha esperando e quando a confusão acaba, venho para cá. Hoje tem uns 300 quilos, vai render pelo menos R$ 50 no ferro-velho", explicou bem-humorado o carroceiro que não deixa de criticar o quebra-quebra. "Eles deviam quebrar o palácio do governo e não as lojas. Tem trabalhadores que dependem disso para viver", ponderou.
Ato termina em destruição
Por volta das 20h, grupos de radicais encapuzados do grupo Black Bloc iniciaram depredações em ruas próximo à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia. O prédio Pedro Ernesto foi pichado e as vidraças quebradas. Um ônibus foi incendiado na Rua Santa Luzia e passageiros de diversos coletivos, colocados para fora. Radicais tentaram atear fogo em veículos.
Mais cedo, Tribunal de Justiça negou recurso dos professores municipais contra a liminar que determinou o retorno às salas de aula. Por maioria de votos, o Órgão Especial do TJ negou pedido do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ).
A Prefeitura do Rio está autorizada a descontar os dias parados dos grevistas. O corte do ponto poderá ser retroativo a 3 de setembro, data em que o sindicato foi intimado da liminar que os obrigou a retornar, sob multa diária de R$ 200 mil.
Na rua do Quartel da PM
PMs que estavam dentro do prédio da Câmara montaram barreira para evitar a entrada dos radicais. Coquetéis molotovs foram lançados na Casa. Policiais do Batalhão de Choque reagiram lançando bombas de gás. Mesmo com os tapumes, agências bancárias foram quebradas e pontos de ônibus depredados. A 50 metros da entrada principal do Quartel General da PM, grupo se concentrou em um bar e atirou coquetéis molotovs na rua, segundo policiais que estavam no QG. O Batalhão de Choque interveio para impedir a aproximação.
Manifestantes fizeram barricadas de lixo e atearam fogo, além de lançar fogos de artifício. Outros retiraram tapumes para usar no confronto com os PMs. Bancas de jornal e lojas foram atacadas. Da Cinelândia, manifestantes seguiram pelo Aterro do Flamengo e em direção ao Bairro de Fátima. Assustados, motoristas fizeram contramão para tentar fugir. A Câmara Municipal não abrirá nesta terça-feira para passar por perícia policial.




