Por thiago.antunes

Rio - Na véspera da manifestação pelo Dia dos Professores, black blocs anunciaram na Internet uma mudança na tática utilizada por seus membros nas últimas manifestações ocorridas no Centro do Rio. Em uma postagem em sua página no Facebook, o grupo recomendava a todos os integrantes “evitar a ação direta” nos próximos confrontos com a polícia. A ideia, sugeriam, era ficar na defensiva e adotar uma postura de resistência para que pudessem identificar aqueles que iriam causar confusão. 

Nesta terça-feira, no entanto, após mais uma manifestação pacífica, a violência voltou a explodir na Cinelândia. O grupo nega que sejam os responsáveis pela destruição do patrimônio. Na opinião deles, policiais do serviço reservado estariam sendo infiltrados nos protestos para criminalizá-los pelos atos de depredação e vandalismo. Ao divulgar a nova estratégia de luta, o grupo reforça a intenção, já divulgada, de proteger os que estão na rua. Uma máxima que não foi seguida pelos mascarados de ontem, já que os professores já haviam encerrado o protesto quando tiveram início os tumultos.

Mascarados acompanham protesto dos professores na tarde de ontem. Quebra-quebra começou depoisAndré Mourão / Agência O Dia

Precaução

O grupo alertou para que todos ficassem precavidos quanto ao endurecimento das revistas e filmagens de suspeitos feitas pela Polícia Militar. A Polícia Civil afirmou nesta terça que não fará o monitoramento por meio de filmagens porque entende que esta é uma atribuição da Polícia Militar.

Para a cientista social Silvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, as forças de segurança não estão sabendo lidar com o crescimento dos black blocs. “A polícia tem atuado de forma precária e sem planejamento. Os últimos protestos mostram que eles agem ora por excesso de força, ora pela omissão”, critica.

Na opinião da especialista, a ação policial tem se caracterizado pela imprevisibilidade. “A polícia tem agido com um grau de improviso e amadorismo que é difícil acreditar. Se comportam como blue blocs”, disse, se referindo à farda azul da corporação.

Especialista defende ação preventiva

A ação violenta de supostos integrantes do Black Bloc nos protestos gerou nas redes sociais o surgimento de grupos que pedem o fim do movimento. Duas comunidades — Fora Black Bloc e Black Bloc Não me representa — convocam novos membros que “estejam cansados de depredação, vandalismo e atos de bandidagem nas manifestações pacíficas. Os mascarados não têm uma proposta. Querem quebrar, destruir, causar pânico”, critica um internauta.

A socióloga Sílvia Ramos defende ação de prevenção no combate aos atos de vandalismo. Na visão dela, as forças de segurança precisam realizar um trabalho de investigação e atuar de forma ‘cirúrgica’ contendo os suspeitos antes do início dos tumultos e prendendo apenas os que cometem algum tipo de crime durante os protestos. “É muito ruim para a população ser atingida por gás em um bar. Tudo isso contribui para aumentar a tensão e criar um clima de insegurança.”

Você pode gostar