Rio - O major Edson Santos e o tenente Luiz Felipe Medeiros, ex-comandante e ex-subcomandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha, respectivamente, foram transferidos nesta sexta-feira para Bangu 8, no Complexo de Gericinó. Eles estavam na Unidade Prisional, antigo BEP, e a juíza da 35ª Vara Criminal, Daniella Alvarez Prado, decidiu ontem pela transferência dos militares para o presídio da Zona Oeste.
Eles e outros oito PMs estão presos acusados da morte de Amarildo de Souza, em 14 de julho. O ajudante de pedreiro foi capturado, torturado e morto. Pelo menos mais 16 militares também são investigados por envolvimento no crime, 11 por omissão.
O pedido de transferência foi feito por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A estratégia é impedir que os oficiais continuem a ter influência sobre os outros oito presos, tornando, assim, possível que eles aceitem a delação premiada — informações em troca de redução de pena.
Dois militares que foram lotados na UPP Rocinha colaboraram com as investigações. Não está descartado o depoimento de outros nove que ficaram ‘trancados’ na sede da UPP para não ver as agressões que Amarildo sofria. A partir dos novos depoimentos, agentes da Divisão de Homicídio (DH) vasculharam o local onde Amarildo foi morto, uma espécie de oficina mecânica improvisada, que virou depósito para esconder o local do crime, atrás da sede da unidade.
Durante todo o dia desta quinta, promotores se reuniram para discutir os rumos da nova denúncia contra outros envolvidos ainda soltos. Outra hipótese é também denunciar os 10 que já estão presos ainda pelo crime de formação de quadrilha.
Amarildo foi detido na operação Paz Armada, deflagrada pela PM em parceria com a 15ª DP (Gávea), que começou dia 13 de julho. Ruchester Marreiros, ex-delegado-adjunto da distrital, é investigado pela Corregedoria Geral Unificada por supostamente ter manipulado dados da ação em benefício dos militares. Relatório da Corregedoria da Polícia Civil apontou que o delegado teria agido com improbidade.




