Por bferreira

Rio - Nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Germana Oliveira Fonseca, 33 anos, estuda Dermatologia na Universidade Privada Aberta Latino-Americana (Upal) em Cochabamba, na Bolívia. Ela não precisou fazer vestibular. Paga R$ 500 de mensalidade e se forma em 2016. Se estudasse a mesma especialidade médica no Brasil, além de ter que enfrentar processo seletivo para entrar na universidade, teria que arcar com até R$ 6 mil mensais em uma instituição privada.

Cercada pelos colegas da turma de Medicina na Bolívia%2C Germana (de jaqueta ao centro) se forma%2C em 2016Divulgação

Assim como Germana, milhares de jovens brasileiros de classe média veem nas faculdades estrangeiras a possibilidade de conquistar o tão disputado diploma de doutor. Empresas especializadas em intercâmbios universitários estimam que pelo menos 25 mil brasileiros estejam cursando Medicina no exterior atualmente. Por ano, cerca de quatro mil deixam o Brasil para se graduar em escolas de outros países da América Latina, principalmente Argentina, Bolívia, Peru e Paraguai.

“Estou feliz da vida. O ensino é de ótima qualidade e integral. Mal vejo a hora de voltar para o Brasil, onde jamais conseguiria pagar a faculdade”, diz Germana, ressaltando que se adaptou ao idioma espanhol, à alimentação e às variações do clima. “Conhecer outra cultura em outro país está sendo fantástico. A saudade da família é superada nas redes sociais”, conta.

Os planos, no entanto, acabam frustrados para a imensa maioria, no retorno ao Brasil. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), no ano passado, 92,5% foram reprovados no Revalida, exame obrigatório para médicos formados em faculdades estrangeiros que queiram atuar no Brasil.

Juliana Cunha, diretora da Educar Intercâmbios, diz que Rio é o terceiro estado que mais exporta estudantes. “Só perde para São Paulo e Rio Grande do Sul. Dos 700 jovens, que assistimos anualmente com destino à Argentina, por exemplo, um terço é carioca”, observa.

‘Argentinos’ têm melhor desempenho

Atualmente cerca de 7,3 mil médicos formados no exterior atuam no Brasil. Quem se gradua fora do país precisa passar por uma revalidação do diploma. A média de aprovação entre os brasileiros graduados nos países latinos, em geral, é muito baixa: apenas 7,5%. Em 2012, o melhor desempenho no exame foi dos que se formaram na Argentina: 22,4%. Sem o diploma revalidado ficam impedidos de atuar no país. No Brasil, 13 mil médicos são formados por ano em 202 cursos (116 privados e 86 públicos). O Estado do Rio tem 17 universidades.

Atenção às disciplinas

Especialistas recomendam que, antes de optar por uma faculdade de Medicina no exterior, os estudantes devem verificar as grades de disciplinas que o curso oferece e compará-las com as brasileiras.

“Manter-se em outro país também requer gastos. Por isso é bom começar a poupar antes”, aconselha Juliana Cunha, da Educar Intercâmbios, ressaltando que, em média, é preciso desembolsar entre R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil mensalmente lá fora. No Brasil, despesas podem chegar a R$ 8 mil. Ter ao menos nível intermediário de inglês é recomendável. Algumas universidades exigem.

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